O nome soa pomposo. E é. Entretanto Paris é muito mais do que lojas caras, beleza a cada canto e pessoas bem vestidas falando francês e namorando ao pé da Torre Eiffel ou a beira do Sena. Paris é múltipla de todas as culturas e todos os tipos de pessoas que pode se imaginar. Infinitamente mais que Londres. As coisas na cidade das Luzes, por menores e mais insignificantes que sejam, tem um significado e parecem remeter a algo. Paris é absurda. A minha história e impressão terminou assim, mas vamos mostrar o que me levou a estes pontos de vista.
Sai de casa na sexta-feira ansioso, coração pulsando mais rápido que o normal e imaginando o que me esperaria do outro lado do Canal da Mancha. Nunca tive grande vontade de conhecer a França, mas já que estava aqui mesmo faria esse esforço (pff). Cheguei mais cedo do que o combinado em frente ao McDonald’s na Terminus Road, avenida principal de Eastbourne. Ai, em cima do tempo agendado, minhas duas companheiras de viagem, Nathália e Luana, me encontraram e o medo começou. O coach que nos levaria não aparecia. Onde estava a tal pontualidade britânica? Depois de vinte minutos de tensão e espera apareceu uma van Volkswagen que tranqüilizou-nos e levou-nos até o ônibus que esperava na saída de Eastbourne. Passamos em Brighton com este ônibus onde, por volta de, cinqüenta pessoas entraram e o ônibus ficou cheio. A nossa sorte era o último banco onde a noite parecia ser mais tranqüila e fácil de passar – entenda-se dormir. A chegada até Folkestone, onde o Eurotunnel começa, foi rápida mas suficiente para um cochilo. Chegando lá, pensei em imigração e aquela lenga-lenga que demoraria para atravessarmos. Nada disso. Nenhum oficial ou embaraço. Nada. Entramos no famoso e curiosíssimo, mas chato, Eurotunnel. É como viajar dentro de um compartimento de cargas. O ônibus entrou no trem, onde as portas ficam trancadas e não pode sair ou ‘viajar’ por entre os ‘vagões’ se é que assim podem ser chamados. Durante quarenta minutos aquele trem balançava e a sensação enjôo não foi pequena, mas quando desembarcamos do outro lado tudo ficou melhor ao ver a placa com a inscrição Calais. A partir daí, com o relógio adiantado em uma hora, não sei de muito mais pois dormi o que podia e o que os desconfortáveis bancos me permitiam.
Até que abri os olhos novamente. Uma imagem que nunca irei esquecer apesar de não ser tão especial para quem lê-la. Eram, por volta, de quatro e meia da madrugada e eu vi uma luz ao meu lado, esfreguei os olhos e com uma sensação de dejá-vu reconheci. O Stade de France, Saint-Dennis, onde a França ganhou a Copa de 1998 e o símbolo de orgulho dos Bleus. Sorri, percebi que estava em Paris, e comecei a apreciar a paisagem que me deu uma sensação de conforto e verossimilhança com a minha terra natal. Sim, por incrível que pareça, antes de chegar na Ilê-de-France, o centro de Paris, a cidade é muitíssimo parecida com São Paulo. Não sei o que meu deu, mas a saudade de casa me invadia ao mesmo tempo que a felicidade. Continuamos nossa jornada até que o ônibus parou. Não entendi a parada, era um dos únicos acordados, mas logo olhei para trás. O que vi foi absolutamente uma das coisas mais espetaculares. Ali, imponente, ao meu lado, estava o Arco do Triunfo. Não vou me apegar a detalhes ou passado, nem explicarei o porquê dele existir, mas sei que as cinco da manhã daquele sábado minha ficha caiu por completo de que estava em Paris. Ele é muito mais bonito e impetuoso do que se imagina. Chama muito mais atenção além de estar no coração de Paris, abrindo as portas para a Champs-Elysées.
Foi difícil voltar ao ônibus depois de ver toda aquela beleza imaginada e só vista em televisão, cartões-postais e sonhos. Voltei ao meu assento e começamos a rodar a cidade, as cinco da madrugada, com as ruas vazias. Passamos por todos os pontos turísticos possíveis, mas como voltei a eles mais tarde, não vale agora comentar muito. Até que chegamos a Torre. O dia amanhecia e a neblina era intensa e mesmo assim foi possível vê-la e sorrir novamente. Não me impressionou a primeira vista como o Arco o tinha feito, mas detinha uma certa beleza. A ignorância a sua presença, ali, ao meu lado, durou poucos minutos até o céu se abrir e sairmos do ônibus, começando a sessão turista com fotos em todos os ângulos e todas as poses que a Torre poderia me proporcionar. Começava ali meu verdadeiro tour por Paris naquele sábado.
Saindo de lá andamos em direção oposta a da Torre onde ficava localizada a prefeitura de Paris e onde boa parte das fotos que se vê da Eiffel são tiradas. Mais tempo para exercer meu lado de bom turista impressionado e com fotos. Um detalhe importante: o número de ambulantes nas ruas com pequenos exemplares do ponto turístico mais famoso impressiona. O que mais impressiona, entretanto, sem nenhuma visão racista por favor, é a quantidade de negros e árabes nas ruas parisienses vendendo estes souvenires e se expressando em todos os idiomas possíveis. Comigo eles tentaram apenas o espanhol e o português, citando, claro, Ronaldo a Robinho. Tenho, por acaso, cara de argentino?
Dali fui conhecer o metrô de Paris. A estação era a de Trocadéro, uma das mais famosas, e percebi que as coisas ali não eram como São Paulo ou Londres. O meio de transporte mais comum mostra uma estrutura precária mas, ao mesmo tempo, eficiente. Apesar dos descuidos com a aparência e limpeza das estações – já perceberam que esse não é forte do europeus, não é? - as coisas funcionam e se locomover pela cidade é tão ou mais fácil que em Londres. Com 14 linhas de metrô e mais algumas de RER, um tipo de trem que serve as zonas mais afastadas da cidade, é possível chegar em qualquer ponto sem demorar muito, mas, antes, é necessário um tipo de planejamento. De Trocadéro descemos na estação Franklin D. Roosevelt aos pés do Arco que, desta vez, a luz do dia, não me impressionou tanto. Com todos famintos, por comida ou compras – não o meu caso, claro – a Champs-Elysées era um convite atraente. Das lojas da Lamborghini as agências do Banco do Brasil tudo parece ter um toque chique. Fomos ao McDonald’s já que pagar muito em comida no meu primeiro dia não era o objetivo principal. Depois de dois hambúrgueres puros, voltamos agora a outra estação de Metrô, George V, e nos destinamos ao Louvre. Rapidamente, eu e as duas companheiras de viagem, decidimos que deixaríamos o museu para o dia seguinte e, tiraríamos, no máximo, fotos nas pirâmides invertidas. Justamente isso fizemos e o episódio mais engraçado aconteceu. Sentamos numa parte interna do e ao mesmo externa do Louvre. Não sei explicar o nome, talvez a Nathália saiba. Sentados, vimos um brasileiro e ele pediu para tirarmos uma foto. Tiramos e pedimos que o memso fosse feito para nós. O brasileiro, educadamente, retribuiu o favor. Olhamos para o lado e cadê o guia? Cadê o grupo? Nos perdemos em Paris! Ficamos ali, na praça do Louvre esperando pelo Garry e os latino-americanos, mas nada. Decidimos explorar Paris por nós mesmos e pela herança genética da semi-francesa Nathália.
Andamos. Andamos bastante. O bastante para margear o Sena e ver uma manifestação pró-Palestina acontecer. O suficiente para ver uma verdadeira faceta de Paris, mais uma humana e menos maquiada que também me encantou. Estava me apaixonando cada vez mais pela cidade.
Chegamos a Notre Dame. A igreja também impressiona por sua imponência e beleza sóbria. É muito diferente de muito do que se vê. Não pode ser comparada a Catedral da Sé, mas, se a modéstia francesa permitisse e se eu não fosse xingado, diria que ali senti, novamente, um pouquinho de casa. A concentração de gente na praça é gigantesca. Uma Bósnia e um grupo de estudantes franceses vieram nos pedir doação. Não demos porque doar em Euro é muito mais caro e para uma causa que realmente não conheço. Entramos na igreja e a riqueza de detalhes é próxima da perfeição. Realmente uma casa de Deus. Diferentemente de outras igrejas da Europa, por exemplo a Saint Paul em Londres, não existia nenhuma necessidade de pagar para entrar ou um clima de ponto turístico. Notre Dame realmente era uma igreja e ponto turístico, mas que preservava sua essência de templo católico. Saí dali feliz em conhecer aonde o Quasimodo fez história e onde muitos reis, rainhas e história existiram.
(Fim da Primeira Parte – A história é longa e requer pensar, analisar e relembrar. Além do que o clássico de Liverpool vai começar agora)
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
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VOCÊ É UM PUTÃO!
ResponderExcluirAaaah, e eu tava contente com minha Itanhaém ¬¬
Quasimodo, Quasimodo.. fiquei pensando se era algum parente distante, ou talvez um guerreiro frances, e não conseguia me lembrar. Depois lembrei! Foi dificil pois só o conheço pelo apelido!
ResponderExcluirNotre Dame é linda sim. Mas nossa Catedral da Sé também é.Sem ufanismos patrióticos, a França é um pouco mais velha que nosso lindo país, certo?
Um beijo...
Obrigada por trazer Paris um pouquinho pra mim (parte I).
ResponderExcluirE é importante ressaltar. Quasimodo só é interessante pelos filmes da Disney. Victor Hugo nos impede de ver a beleza toda de Paris por Notre Dame. Já pel'Os Miseráveis é outra história. Deveria ter lido o livro antes de ir pra Paris viu.