segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

26/01/09 - Lá de Cima

Falar sobre o British Museum, a Oxford Circus, as três principais linhas de metrô fechadas que cancelaram minha ida ao Tate Modern, a plataforma 9 ¾ - aquela do Harry Potter – hoje soa como pouco.
Não vou me estender muito. Quero falar de como é ver uma megalópole do alto. Não tão alto quanto de um avião, onde é impossível distinguir algumas de suas mais belas feições, mas não ao nível do asfalto onde tem se uma visão limitada pelos prédios.
Desejei muito sobre Londres. Pelo menos um dos meus anseios do post anterior foi realizado: o céu estava claro e límpido, ao menos no sábado. Isto me possibilitou uma vista fantástica da London Eye e de dentro dela. Isso mesmo,subi na London Eye. Aquela roda gigante tão imponente e ao esmo tempo graciosa me proporcionou ver o Thames ao longe e o Parliament de cima. Tive tanta sorte que até estrelas e Lua estavam no céu. A subida é lenta, mas rápida. Contradição? Nenhuma. Tudo depende apenas do ponto de vista. Olhando de baixo, do chão, a escalada rumo ao topo parece um suplício temeroso. Os grandes compartimentos em que subimos parecem até balançar. Para aumentar um pouco a tensão, naquela mesma manhã, a London Eye tinha quebrado! Por cerca de uma hora as pessoas ficaram lá em cima, impossibilitadas de descerem e apreciando a vista de uma cidade sem limites. Mas o desespero deve ter sido gigantesco. A compra do ingresso demorou mais do que esperava, mas sem alguma desorganização. Se existe uma coisa da qual os ingleses podem bater no peito se orgulharem é das regras e organização que são seguidas por todos. Entretanto a educação e a limpeza...
Rodamos o dia todo sem um rumo específico. O rumo, sabíamos, era alcançar o cume do céu de Londres guiados pela roda-gigante. Saímos da estação Waterloo e andamos um pouco em direção ao London Eye, quando passavam das sete da noite e o céu já estava, há tempos, turvado de negro. Comecei a sentir o que nos esperava quando avistei aquela bola gigantesca toda iluminada. A minha barriga chiou, minhas pernas estremeceram e uma interjeição mal educada soltei. Não ia desistir do vôo – é assim que eles chamam o passeio.
Aproximamo-nos e vi a nossa gaiola com o número 20 marcado. Pelo menos não era o 13. Começamos a subir vagarosamente e tudo que via era um rio acima de mim, mas de acordo com a subida as coisas vão ficando mais calmas. Não sei se é porque o rio se distancia ou se porque temos mais com o quê prestar atenção, mas fiquei tranqüilo. Diferentemente da Luana e de um francês, que sofre de medo de altura e subiu na roda gigante pela segunda vez. Talvez enviado pelo seu respectivo psicólogo. Não existe outra explicação mais lógica. Ou menos tonta.
Não consegui transcrever aqui um décimo do que foi essa experiência, como diria Marco Bianchi, embasbacante. Queria fotos e vídeos, mas, a mineira esperta, levou o cabo da minha câmera para casa e ficou impossível mostrar aqui um pouquinho do que foi lá. Amanhã talvez eu tente. Amanhã dia de pub night.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

23/01/09 - Quase Mais do Mesmo

Post rápido e curto.

As coisas em Eastbourne enfim começaram a se parecer com o que elas realmente eram idealizadas. Chove todo dia pela manhã. A tarde o Sol aparece tímido, aquele que não deixa rosa nem a branquela mais sensível aos raios do astro-rei. As noites vêm sendo muito bonitas e as estrelas estão lá em cima sob um mar que impressiona quando o Sol cai. O que não veio mais foi neve. As temperaturas subiram e agora estão em agradabilíssimos, acreditem em mim, seis graus Celsius.

O comportamento das pessoas me comprova uma Paris muito mais apta e receptiva. Pelo menos assim foi comigo. Relatos de outras pessoas podem contradizer minha opinião sob o Paraíso Cultural Francês na Terra dos Humanos, mas não consigo entender, e cada dia menos tento entender, como o povo daqui consegue ser tão avesso aos estrangeiros. E isso não ocorre só contra nós latinos, mas asiáticos também não são muito bem-vindos. O que eles gostam é de americano e europeus. Do Leste, só se a menina for bonitinha e o nível de inglês razoável. Digo tudo isso após presenciar três confusões entre grupos estrangeiros e locais em um período de uma semana.

Xenofobia rolando solta.

Amanhã Londres me espera e, mesmo debaixo de chuva, vamos ver se conseguem apagar aquela imagem de frieza e cinza. Torcer para que o metrô não quebre, as ruas não encham e os moradores e atendentes sejam educados.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

20/01/09 - Paris II e a New Age

Parei ontem na igreja do Quasimodo. O objetivo era deixar o pessoal um pouco mais apreensivo e ansioso para ver como os fatos se desenrolavam além, claro, que eu não podia perder um jogo de futebol como Liverpool x Everton estando aqui. Mas retornemos ao que esse blog é proposto há.

Saí de Notre Dame perdido com as outras duas também perdidas. Não sabíamos muito mais o que fazer, por mais incrível que isso possa parecer. As opções eram vastas, porém ninguém tinha muitas idéias já que a tarde caía e deveriam nos encontrar com o resto do grupo as margens do Sena às sete e meia da noite.Conversamos, passamos vontade olhando os crepes sendo produzidos, embarcamos na estação Cite e decidimos que iríamos em direção ao Invalides. Este lugar, não muito famoso em Paris, mas um dos mais bonitos, ficava próximo a Torre Eiffel e de fácil acesso caso nós nos perdêssemos. Fomos e nos vimos perante uma magnificente obra prima da arquitetura em forma de prédio. Ali, segundo diz a história e o nosso guia Gerry, me corrijam se eu estiver errado, por favor, foi um palácio que Napoleão mandou erguer para ser sua casa. O nome, Hotel dês Invalides, que quer dizer exatamente isso que você imaginou, Hotel dos Inválidos, não parece ter alguma expressão lógica. Na sua frente é possível ver muitos canhões, alinhados, como se fosse uma fortaleza, além de jardins lindos. Por dentro, a estrutura é como se fosse a de um quadrado, uma fortaleza protegida por todos os lados. Outro dos lugares onde não esperava ver tanta beleza. A nossa retirada, após descansar as pernas falando besteira e jogando conversa pro ar sentados nos muros dos Inválidos, foi para a Torre Eiffel e andando por vielas charmosíssimas que nos levavam até o grande ponto turístico.
As seis da tarde um sono badalou e a Torre se iluminou. Ali sim pude ver sua toda a sua forma, delineada por aquelas curvas amarelo-ouro que mostravam o que não tinha visto ainda. O dia escurecia lentamente, mas já não era mais possível ver a luz do sol e, imponente, no centro da Ilê-de-France, ela reinava. Me encantei à segunda vista, se é que isso é possível, e sentados nos jardins opostos ao Sena, tirei fotos e imaginei aquela oportunidade toda e tudo que aquilo me representava. Esperei o tempo passar até que pudesse chegar o momento de um cruzeiro no Sena. A idéia parece um pouco de girico, ainda mais com o frio beirando os 0 Celsius e a minha mala cheia nas costas em um rio que não pode ser conhecido por sua extrema beleza e suas águas límpidas. Porém, estava em Paris, precisava aproveitar tudo aquilo que podia e, passear no Sena, era uma dessas coisas que eu me arrependeria de fazer. Depois de esperar na fila por mais de trinta minutos e enfrentar um vento razoável me vi dentro daquele barco, fechado em cima por vidros e que não me transmitia à essência de estar em Paris e, ainda mais, viajando pelo rio. Resolvi sair, deixei minha poltrona, sentei do lado de fora do barco, em sua lateral, entre dois casais, um de italianos outro de espanhóis. A viagem começou e, enquanto as coisas passavam me lembrava de tudo e via o quanto aquilo era bonito, para não dizer romântico e amoroso. Sozinho, entretanto, é algo muito mais que te força a um exercício de memória do que apreciável, apesar da paisagem ser linda e as pessoas te acenarem das margens, desejando ‘Bon voyage’ e afins. A volta, foi melhor, pois a Torre estava como antes, porém, com a diferença das luzes estarem piscando, proporcionando um show pirotécnico em Paris. Naquele exato momento descobri o por quê do título de cidade das luzes.

Até que enfim o ônibus nos esperava e o hotel também. O nome, Premiere Classe, não mentia ao que o estabelecimento representava, mas a distância do centro da cidade assustou. Passamos a noite bem, alimentados por uma pizza que, com muito esforço, poderia ser julgada como razoável e um banho não mais que pouco morno. Bem mesmo fiquei depois de saber da goleada do Timão e como as coisas se encaminham para quando eu estiver de volta. Quem precisa de Ronaldo quando se tem Souzaço e o maestro Douglas? Acordamos sem a mínima vontade de acordar, mas, espertamente, o café da manhã foi a maior refeição do dia. O guia Gerry nos informou que, como não iríamos para Versailles com eles – segui os conselhos do Marcão, ainda mais depois de ver o mau tempo que predominava em Paris – deveríamos nos encontrar na estação da Sacré-Coeur, próximo ao Moulin Rouge e de todos os cancans parisienses. Além disso, ele me mostrou o ‘metrô’ e direcionou-me, junto com as meninas, o que deveríamos fazer caso nos perdêssemos novamente, apesar dele não ter nem reparado a nossa ausência no dia anterior.

Andamos ao metrô de Genervilles e lá encontramos não um metrô no real significado, mas uma estação de RER. Como disse no post anterior, os RERs servem as áreas mais afastadas de Paris, transportando a população menos abastada para o centro, onde trabalham, e depois retorná-los à suas devidas habitações. O problema era que estávamos tão longe, só depois descobrimos que Genervilles era a última estação de sua linha, que o atendente do guichê disse a Nathália: ‘ Então vocês querem ir para Paris?’ Absurdamente, isso mesmo, estávamos fora do perímetro da cidade. Mas não era algo como Guarulhos. Era muito mais afastado. O RER, apesar de não ser o conforto e o luxo em sua primariedade, serviu nos bem, apesar de um certo temor, misturado a preconceito, quando um grupo de árabes entrou no mesmo vagão que nós e começou a conversar alto.
Descemos assim que chegou nossa estação e em menos de dez minutos estávamos no Louvre. O centro da cultura e intelectualidade francesa onde estão reunidas mais belas, e importantes, pinturas e esculturas do mundo, incluindo a Gioconda, também conhecida vulgarmente como Mona Lisa. E ela sim foi a única decepção que tive em Paris. O que você imagina deste quadro que é o mais famoso da história? Gigantesco? Imponente? Atraente? Esqueça qualquer um desses conceitos superlativos. Ela não tem absolutamente nada disso. É um quadro pequeno, insosso e que, se não representasse toda a história de uma geração e de um mestre, não teria grande importância. Além do que existe um grande desperdício de espaço. Aquela pintura com não mais de um metro de altura por sessenta ou setenta centímetros de largura, me corrijam novamente caso haja erro, ocupava toda uma parede na galeria Richelieu do Louvre enquanto outros quadros muito maiores e expressivos ficavam espremidos. Excetuando isso, a vista ao Louvre é mágica e pode durar dias se você for alguém paciente e realmente interessado pela arte em todas as suas formas. É possível ver Picasso, Degas e muito da história francesa sendo contada ali, como os quadros da coroação de Josephine e a batalha ganha por Napoleão onde ele, por sua já sabida excentricidade, toma toda a cena com sua figura ao centro da tela. As esculturas também são uma boa pedida, reunindo história romana, grega e egípcia em grande quantidade e qualidade. É possível ver de Zeus à Vênus de Milo ou tumbas de inúmeros Faraós. Depois de três horas de arte nos cansamos um pouco e o tempo era pouco para ver muito.
À vontade da Luana e, porque não, também nossa, fomos aos Jardins de Luxemburgo. Chegando lá, numa estação colada a de Montparnasse, uma avenida bonita, comercial, mas que não oferece muito mais do que lojas, me impressionei com a estrutura do local. Segundo a conhecedora Nathália aquela é a praia de parisiense, quase um Hyde Park para os londrinos ou o Ibirapuera para nós paulistanos. Naquele parque se destaca a escultura de uma cabeça gigantesca moldada em um material que lembra bronze, mas que não poderia definir só olhando. Além disso, um lago grande reúne as pombas mais insolentes que já vi em frente ao Senado francês. Tudo muito arrumado, estrutura impressionante que reúne banheiros, quadras de tênis, quiosques e parquinhos para crianças. Curiosidade interessante e engraçada: lembram daquele brinquedo, o trepa-trepa? Formada com estruturas metálicas em que a criança se dependura até de ponta cabeça e os pais vão a loucura? Então, nos Jardins Luxemburgueses a armação é em forma de Torre Eiffel. Isso é o que eu chamo brincar com classe.

Não achamos um quiosque que vendesse crepes então tivemos que começar o fim da nossa viagem indo para a estação de Anvers. Chegando lá subimos uma rua que reunia grande quantidade de lojas de souvenires, muita gente e uma ladeira. Alguma semelhança com a Porto Geral é apenas coisa da minha cabeça e coincidência. Chegando ao fim da rua é possível avistar, no alto da Montmartre, a igreja da Sacré-Coeur. Ante de subi-la tive que comer um crepe e uma baguete de presunto e queijo suíço, treinando meu ‘farto’ francês, para comprovar que fui à França a mim mesmo. As escadarias da Sacré-Coeur são extensas e demoradas, mas eu fui na corrida porque não queria ‘perder’ muito tempo. Ao chegar no topo tive a visão de Paris por completo, com todos os seus ângulos. Uma visão linda e esta, realmente, inesquecível. Desci sem antes ser abordado por vendedores ambulantes de miniaturas de Torre Eiffel que eu recusei e segui meu rumo. Sentei um pouco, refleti e desci em direção ao ônibus, tendo a certeza de que a minha vista a mais uma das cidades do mundo tinha sido o melhor possível. E prometendo retorno.
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E o que tem a ver o tal do New Age do título? Bem, vamos as explicações.
Hoje vi, pela televisão na BBC 1, a posse do homem mais poderoso do mundo. Obama parece ter caráter, feições atraentes e um tanto quando diferenciadas para um político que não fica só na básica prolixidade e demagogia. Ele tem idéias interessantíssimas, como a retirada mais breve possível das tropas americanas do Iraque, e teria tudo para se consagrar como um dos melhores presidentes da história. Mas temo por ele.
Não sou analista político e nem tenho condições para tal, mas o peso que jogaram nas costas do senhor Barack é maior que o mundo. Ele terá de resolver os problemas que assolam o mundo devido à crise econômica, botar um fim no preconceito étnico – odeio a palavra racial, além de concertar os subseqüentes erros cometidos pelo governo de seu antecessor. A expectativa é grande, mas ele é um homem só para um mundo que passa por um momento dificílimo. A frase que ele disse, ontem, era mais ou menos assim: ‘Como podemos salvar o mundo? Basicamente, todas as pessoas teriam que fazer o que o piloto do avião que caiu no Hudson semana passada fez: executar seus trabalhos de forma digna e a melhor possível. Se todos assim o fizerem, o mundo, sem dúvida alguma, será um lugar muito melhor e eu não terei grande influência nisso’. Obama está corretíssimo, mas seis bilhões de pessoas esperam um comportamento diferente dele. O que virá nos próximos quatro anos só o tempo dirá, porém ele sabe que assumiu em um momento delicado onde ele terá de ser muito mais que comandante da nação, mas reconciliador, mestre – ainda sendo aprendiz, semeador da paz e agregador de povos. Sem que isso manche a soberba americana. Tarefa dificílima, não?

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Paris I

O nome soa pomposo. E é. Entretanto Paris é muito mais do que lojas caras, beleza a cada canto e pessoas bem vestidas falando francês e namorando ao pé da Torre Eiffel ou a beira do Sena. Paris é múltipla de todas as culturas e todos os tipos de pessoas que pode se imaginar. Infinitamente mais que Londres. As coisas na cidade das Luzes, por menores e mais insignificantes que sejam, tem um significado e parecem remeter a algo. Paris é absurda. A minha história e impressão terminou assim, mas vamos mostrar o que me levou a estes pontos de vista.

Sai de casa na sexta-feira ansioso, coração pulsando mais rápido que o normal e imaginando o que me esperaria do outro lado do Canal da Mancha. Nunca tive grande vontade de conhecer a França, mas já que estava aqui mesmo faria esse esforço (pff). Cheguei mais cedo do que o combinado em frente ao McDonald’s na Terminus Road, avenida principal de Eastbourne. Ai, em cima do tempo agendado, minhas duas companheiras de viagem, Nathália e Luana, me encontraram e o medo começou. O coach que nos levaria não aparecia. Onde estava a tal pontualidade britânica? Depois de vinte minutos de tensão e espera apareceu uma van Volkswagen que tranqüilizou-nos e levou-nos até o ônibus que esperava na saída de Eastbourne. Passamos em Brighton com este ônibus onde, por volta de, cinqüenta pessoas entraram e o ônibus ficou cheio. A nossa sorte era o último banco onde a noite parecia ser mais tranqüila e fácil de passar – entenda-se dormir. A chegada até Folkestone, onde o Eurotunnel começa, foi rápida mas suficiente para um cochilo. Chegando lá, pensei em imigração e aquela lenga-lenga que demoraria para atravessarmos. Nada disso. Nenhum oficial ou embaraço. Nada. Entramos no famoso e curiosíssimo, mas chato, Eurotunnel. É como viajar dentro de um compartimento de cargas. O ônibus entrou no trem, onde as portas ficam trancadas e não pode sair ou ‘viajar’ por entre os ‘vagões’ se é que assim podem ser chamados. Durante quarenta minutos aquele trem balançava e a sensação enjôo não foi pequena, mas quando desembarcamos do outro lado tudo ficou melhor ao ver a placa com a inscrição Calais. A partir daí, com o relógio adiantado em uma hora, não sei de muito mais pois dormi o que podia e o que os desconfortáveis bancos me permitiam.

Até que abri os olhos novamente. Uma imagem que nunca irei esquecer apesar de não ser tão especial para quem lê-la. Eram, por volta, de quatro e meia da madrugada e eu vi uma luz ao meu lado, esfreguei os olhos e com uma sensação de dejá-vu reconheci. O Stade de France, Saint-Dennis, onde a França ganhou a Copa de 1998 e o símbolo de orgulho dos Bleus. Sorri, percebi que estava em Paris, e comecei a apreciar a paisagem que me deu uma sensação de conforto e verossimilhança com a minha terra natal. Sim, por incrível que pareça, antes de chegar na Ilê-de-France, o centro de Paris, a cidade é muitíssimo parecida com São Paulo. Não sei o que meu deu, mas a saudade de casa me invadia ao mesmo tempo que a felicidade. Continuamos nossa jornada até que o ônibus parou. Não entendi a parada, era um dos únicos acordados, mas logo olhei para trás. O que vi foi absolutamente uma das coisas mais espetaculares. Ali, imponente, ao meu lado, estava o Arco do Triunfo. Não vou me apegar a detalhes ou passado, nem explicarei o porquê dele existir, mas sei que as cinco da manhã daquele sábado minha ficha caiu por completo de que estava em Paris. Ele é muito mais bonito e impetuoso do que se imagina. Chama muito mais atenção além de estar no coração de Paris, abrindo as portas para a Champs-Elysées.

Foi difícil voltar ao ônibus depois de ver toda aquela beleza imaginada e só vista em televisão, cartões-postais e sonhos. Voltei ao meu assento e começamos a rodar a cidade, as cinco da madrugada, com as ruas vazias. Passamos por todos os pontos turísticos possíveis, mas como voltei a eles mais tarde, não vale agora comentar muito. Até que chegamos a Torre. O dia amanhecia e a neblina era intensa e mesmo assim foi possível vê-la e sorrir novamente. Não me impressionou a primeira vista como o Arco o tinha feito, mas detinha uma certa beleza. A ignorância a sua presença, ali, ao meu lado, durou poucos minutos até o céu se abrir e sairmos do ônibus, começando a sessão turista com fotos em todos os ângulos e todas as poses que a Torre poderia me proporcionar. Começava ali meu verdadeiro tour por Paris naquele sábado.
Saindo de lá andamos em direção oposta a da Torre onde ficava localizada a prefeitura de Paris e onde boa parte das fotos que se vê da Eiffel são tiradas. Mais tempo para exercer meu lado de bom turista impressionado e com fotos. Um detalhe importante: o número de ambulantes nas ruas com pequenos exemplares do ponto turístico mais famoso impressiona. O que mais impressiona, entretanto, sem nenhuma visão racista por favor, é a quantidade de negros e árabes nas ruas parisienses vendendo estes souvenires e se expressando em todos os idiomas possíveis. Comigo eles tentaram apenas o espanhol e o português, citando, claro, Ronaldo a Robinho. Tenho, por acaso, cara de argentino?

Dali fui conhecer o metrô de Paris. A estação era a de Trocadéro, uma das mais famosas, e percebi que as coisas ali não eram como São Paulo ou Londres. O meio de transporte mais comum mostra uma estrutura precária mas, ao mesmo tempo, eficiente. Apesar dos descuidos com a aparência e limpeza das estações – já perceberam que esse não é forte do europeus, não é? - as coisas funcionam e se locomover pela cidade é tão ou mais fácil que em Londres. Com 14 linhas de metrô e mais algumas de RER, um tipo de trem que serve as zonas mais afastadas da cidade, é possível chegar em qualquer ponto sem demorar muito, mas, antes, é necessário um tipo de planejamento. De Trocadéro descemos na estação Franklin D. Roosevelt aos pés do Arco que, desta vez, a luz do dia, não me impressionou tanto. Com todos famintos, por comida ou compras – não o meu caso, claro – a Champs-Elysées era um convite atraente. Das lojas da Lamborghini as agências do Banco do Brasil tudo parece ter um toque chique. Fomos ao McDonald’s já que pagar muito em comida no meu primeiro dia não era o objetivo principal. Depois de dois hambúrgueres puros, voltamos agora a outra estação de Metrô, George V, e nos destinamos ao Louvre. Rapidamente, eu e as duas companheiras de viagem, decidimos que deixaríamos o museu para o dia seguinte e, tiraríamos, no máximo, fotos nas pirâmides invertidas. Justamente isso fizemos e o episódio mais engraçado aconteceu. Sentamos numa parte interna do e ao mesmo externa do Louvre. Não sei explicar o nome, talvez a Nathália saiba. Sentados, vimos um brasileiro e ele pediu para tirarmos uma foto. Tiramos e pedimos que o memso fosse feito para nós. O brasileiro, educadamente, retribuiu o favor. Olhamos para o lado e cadê o guia? Cadê o grupo? Nos perdemos em Paris! Ficamos ali, na praça do Louvre esperando pelo Garry e os latino-americanos, mas nada. Decidimos explorar Paris por nós mesmos e pela herança genética da semi-francesa Nathália.

Andamos. Andamos bastante. O bastante para margear o Sena e ver uma manifestação pró-Palestina acontecer. O suficiente para ver uma verdadeira faceta de Paris, mais uma humana e menos maquiada que também me encantou. Estava me apaixonando cada vez mais pela cidade.

Chegamos a Notre Dame. A igreja também impressiona por sua imponência e beleza sóbria. É muito diferente de muito do que se vê. Não pode ser comparada a Catedral da Sé, mas, se a modéstia francesa permitisse e se eu não fosse xingado, diria que ali senti, novamente, um pouquinho de casa. A concentração de gente na praça é gigantesca. Uma Bósnia e um grupo de estudantes franceses vieram nos pedir doação. Não demos porque doar em Euro é muito mais caro e para uma causa que realmente não conheço. Entramos na igreja e a riqueza de detalhes é próxima da perfeição. Realmente uma casa de Deus. Diferentemente de outras igrejas da Europa, por exemplo a Saint Paul em Londres, não existia nenhuma necessidade de pagar para entrar ou um clima de ponto turístico. Notre Dame realmente era uma igreja e ponto turístico, mas que preservava sua essência de templo católico. Saí dali feliz em conhecer aonde o Quasimodo fez história e onde muitos reis, rainhas e história existiram.

(Fim da Primeira Parte – A história é longa e requer pensar, analisar e relembrar. Além do que o clássico de Liverpool vai começar agora)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

14/01/09 - O Velho Reino da Dinamarca

Aqui estamos nós novamente! Não sei até que ponto foi sentida a minha falta nas postagens deste blog contando histórias de temperaturas congelantes ou do castelo do Harry Potter que não era nada mais do que uma modesta igreja em Oxford. Parando de enrolação e iniciando o que realmente interessa tentarei resumir ao máximo, sem perder qualidade, os meus últimos dias.

Iniciando pelo começo, como já diria um famoso ex-presidente do Corinthians, o sábado foi onde deixei de postar minhas aventuras. Então vou recordar aquela manhã absurdamente gelada na cidadezinha de Chatham. A viagem de ônibus demorou as exatas duas horas previstas e a chegada foi sob uma temperatura que beirava os -4 Celsius em plena luz do dia, dez da manhã. A partir dali fomos conhecer a cidade e o que ela mais tem a oferecer: a história de Charles Dickens. Para aqueles que não conhecer, Dickens foi um dos maiores escritores da história da Grã-Bretanha, sendo autor do clássico mais representado em todas as televisões na época de Natal e Novo Ano, Oliver Twist, além da história do famoso mágico David Copperfield. Ele, Charles, claro, viveu uma parte de sua vida aqui em Eastbourne e uma casa na chamada Old Town ostenta uma placa que reverencia a passagem do senhor Dickens pela animada e turística Eastbourne. Mas voltando à Chatham, lá fomos visitar um espaço que pode ser confundido entre espaço e teatro onde representa-se a história do supracitado Oliver. Mas a história não é simplesmente contada com atores, mas sim com o cenário idealizado por Dickens que compõe toda a história de Oliver Twist, um garoto que representa a astúcia e a superação perante as dificuldades e as mazelas da vida – pelo menos essa deve ter sido a intenção inicial do escritor. Depois disto tudo, aí sim num verdadeiro teatro, pode-se ter a incrível visão da vida de Charles Dickens sendo contada por bonecos de cera perfeitamente moldados com as características de alguns dos seus mais famosos personagens. Apesar do show ser um pouco desanimado, a qualidade da montagem dos bonecos e a sonorização são absurdamente acima da expectativa para uma atração cultural de uma cidadezinha. Voltar para Eastbourne foi sem dúvida a melhor escolha pois o frio voltava a apertar e o dia seguinte prometia ser bom. Prometia.

Acordei cedo. Cedíssimo. Às 6 da manhã de um domingo com temperaturas próximas das vistas no dia anterior, me agasalhei da melhor forma possível para agüentar o frio e a distância da viagem até Oxford, onde estaria em uma das cidades mais esperadas já que é lá onde acontece a vida educacional britânica e de onde saíram as melhores cabeças do Reino Unido, quisá do mundo. Desta vez o traslado foi rápido e demorou quase a metade do tempo previsto. Chegamos lá por volta das nove e meia quando muitos foram no McDonald’s e outros na Starbucks para tomar um café, segundo eles descente. Começamos a conhecer a cidade onde nada estava aberto e nenhum museu foi possível visitar. A expecatitiva de visitar a Christ Church, onde foram gravadas algumas cenas dos filmes do Harry Potter também foi frustrada inicialmente. Passamos então, duas horas e meia esperando por nada. Ou melhor, por um grupo de brasileiros que vinha de Cambridge para nos encontrar no templo da inteligência britânica. Ali vimos, aí sim, a tal da Christ Curch que de nada impressionou. A visão da sala comunal foi tão irreal e sem nexo como qualquer quadro abstrato onde não se vê nenhuma semelhança com aquilo que se conhece. Outro lugar esperado eram os campos internos da Igreja onde forma gravadas cenas das partidas de quadribol. Como dizem por aqui, rubbish. Nada de parecido. Nada que me fizesse colocar um foto no blog para que vocês tentassem reconhecer. O melhor mesmo era a Igreja que reunia muita história e muita beleza. Por isso, esta merece uma foto.


Depois de tanta lembrança em dois dias voltei para Eastbourne para passar os próximos estudando e foi isso mesmo que fiz, sem antes, claro, me frustrar com a derrota do NY Giants nos playoffs da NFL. Apesar da frustração, ganhei uma boa notícia enquanto acompanhava o jogo em um blog especializado onde consegui um site que transmitia qualquer tipo de partida possível. Logo, está garantida a transmissão da estréia do Corinthians no Campeonato Paulista ou no amistoso contra o Estudiantes. Quero ver o meu pique agüentar até a meia-noite daqui. Além, claro, de poder acompanhar inúmeras modalidades a qualquer momento do dia e, o melhor, ao vivo. O site, para os interessados, é www.atdhe.net.

Cheguei a escola na segunda-feira cansado pelo fim de semana e obtive motivos para melhora logo que começaram as aulas. Cada dia mais interessantes, sim sem nenhum tipo de demagogia, as coisas vão bem e o IELTS está me incentivando a me estudar. Além dos professores ajudarem muito, a minha avaliação de que o meu vocabulário se estendeu e as minhas conversas tem se tornado mais longas e interessantes são uma prova de que consigo me expressar melhor, entender melhor e até vislumbrar coisas melhores para esse futuro próximo que me assusta. Mas, o futuro mais que próxima me mostra Paris daqui dois dias. Vamos ver o que dá pra conhecer. Vamos ver se conheço desde a Torre Eiffel até Versailles. Quem sabe rola uma Eurodisney... Segunda-feira revelo como foi lá. Até, então, temos mais dois dias e um pouco para contar.

Trilha Sonora do Dia: Arctic Monkeys – Do Me a Favour: ‘Too heavy to hold will force you to be cold.’

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Atualizações atrasadas devido ao objetivo inicial: ESTUDAR!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

09/01/09 - Hastings


Os dias vão se passando aqui na terra da rainha e eu pareço cada dia mais adaptado a esse tipo de vida, os modos e hábitos do povo de cá e já começo a pensar na possibilidade de não voltar – BRINCADEIRA! Mas a realidade é que as coisas andam muito boas por aqui, muito pela minha classe que é participativa e temos um professor, Llew, fantástico que além de contar todas as suas experiências está sempre disposto a nos ouvir e tirar todas as dúvidas possíveis e imagináveis. Sul-africano de nascimento e de coração, ele simplesmente parece não suportar o caminho que as coisas tomam aqui na Inglaterra e quer voltar o mais rápido possível para tua casa à beira do mar em Johanesburg.A vinda dos brasileiros para cá também só melhorou a minha relação e o modo como as coisas estão a correr pó aqui. Hoje, aliás, fui para Hastings, cidade turística próxima a Eastbourne.

O município de Hastings tem o mesmo tamanho da cidade em que estou hospedado com uma diferença: é puro morro. Sim, a cidade foi construída nas encostas e não é como Eastbourne que apesar de ter os seus declives cá e lá não inspira nenhum desafio andar pela cidade. Hastings, entretanto, tem escadas por toda a sua extensão que te levam do ponto mais baixo, rente ao mar, até o topo das montanhas. Não é tão alto assim, mas uma caminhada considerável pode ser gasta ali. Este quase condado também é muito conhecido por ser, de 1600 até hoje, um grande posto de recepção de contrabando. É o grande orgulho hastignianos (seria esta a denominação?) e em uma destas tabernas onde os piratas escondiam seus produtos contrabandeados, que iam desde gin até tabaco e ouro, fui hoje.

A localização é no alto das montanhas o que já sugere uma pergunta, no mínimo, intrigante: como eles moviam as grandes quantidades de muamba para o topo? Resposta não obtida e provavelmente não serei eu quem a responderei. As cavernas são interessantes com modelos impressionantes feitos em cera que representavam os indivíduos que ali ficavam escondidos. Alguns se mexiam, outros emitiam sons e todos pareciam representações fidedignas a realidade. O local guarda tanta história que foi preservado e transformado neste tipo de museu que cobra entrada e conta, entre suas lembranças, alguns documentos e objetos datados de três séculos atrás. Formatado para ser uma réplica das tabernas que compunham a cidade a tempos atrás, a Smuggling Cave cumpre bem sua função apesar da conservação não ser o ponto forte dos ingleses.

Saindo de lá descemos até a praia onde vi, próximos a areia, alguns pesqueiros completamente congelados, diferentemente do que poderia imaginar. Apesar do dia ter sido completamente de Sol, os lagos não descongelaram e a paisagem era magnífica, expondo o que o inverno e o inverno tem de mais belos. Os cariocas, após isto, foram torrar seus pences em diversões eletrônicas enquanto eu poupava dinheiro para minha ida à Oxford no domingo. Além de que, amanhã, vamos a Chathan, outra cidade pequena e desconhecida onde não faço a mínima idéia do que me espera.

Trilha Sonora do Dia: Justice – Let There Be Light (Não há letra, ouçam e ouçam atentamente. A música te envolve de forma impressionante).

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

07/01/09 - The New Old Town

A semana começou com a grata surpresa da molecada carioca, além de duas meninas, uma paulista e outra mineira de Belo Horizonte, que me farão companhia até o fim do curso. Até aí tudo bem já que a chegada de brasileiros era esperada e as coisas, assim, melhoraram consideravelmente. Eu, que sempre tive um certo preconceito contra o pessoal da terra maravilhosa das balas perdidas, como diz um cronista de um famoso jornal esportivo, me acostumei e até gostei do jeito positivo e brincalhão dos fluminenses. As meninas são diferentes. Muito diferentes uma da outra, porém, com um
ponto em culpa entre ambas: pais poderosos.

A mineira chama-se Luana e leva consigo toda as qualidades que uma menina pode aparentar – literalmente. Não sei quanto ao pão de queijo já que, particularmente, não gosto, mas todo o sotaque impregnado em sua essência que faz ela parecer mais mineira. Seu pai, ah, este, basicamente, é prefeito de uma cidadezinha em Minas. Humilde, não? A paulista chama-se Nathália e, para surpresa minha, estuda também no Liceu! Mas, acalmem-se, é o Pasteur onde, desde seus primeiros anos, ela tem educação bilíngüe além da cidadania francesa. Seus pais são donos de uma consultoria e querem que ela faça faculdade aqui pois, para eles, é mais barato. Por vezes até me sinto meio estranho convivendo com tantas pessoas de posses. A cariocada não convém dizer aqui já que são inúmeros e não saberia distingui-los, um a um.

Entretanto, por mais que eles tenham seus almoços e passeios todos já pagos desde antes de sua chegada aqui na Inglaterra, existe um ponto falho na estadia dos cariocas aqui: eles são proibidos de ir ao pub! Mas, antes, vamos explicar a situação como ela realmente é. O pessoal do Rio de Janeiro veio em comboio com uma agência que tem como preferência Eastbourne e o enorme grupo, não sei por qual circunstância, ficou hospedado dentro da escola, algo que estava fora de meu alcance já que por ser maior de dezesseis anos deveria viver em uma casa de família. Até aí, uma menina dezessete e uma de dezenove estão no grupo carioca. Vai entender os ingleses. E, devido a esta comodidade de estar na escola, a noite, eles não podem sair. O que será melhor, ter suas cuecas e meias lavadas e poder almoçar sem desembolsar nenhum tostão sem conhecer o que de melhor os ingleses oferecem ou lavar suas roupas íntimas no chuveiro tendo que tirar do teu bolso se quiser almoçar na escola mas podendo ir e vir sem nenhuma restrição? A resposta é toda de vocês.

Ah, para finalizar, duas notas bem rápidas que ainda provam que estou estudando aqui. E mais até! Estou atendendo classes preparatórias para o IELTS, o exame que prova qual é o teu real nível de inglês sendo que, a nota mais alta possível é nove e os próprios professores já disseram que se eles, nativos, tirassem oito, teriam que se dar por muito contentes. Prova um pouco o nível do teste, não? Mas isso não quer dizer que farei a prova, o que provavelmente não farei mesmo. Estou nestas aulas apenas para melhorar meu inglês e me colocar em um nível mais avançado que o meu Upper-Intermediate. E domingo, para os interessados, irei a cidade de Oxford e, depois, ao castelo de Windsor onde, para quem não sabe – eu não sabia, foram gravados os filmes do Harry Potter. Interessante, não? Petrificus Totalis ou Wingardium Leviosa?

Trilha Sonora do Dia: Titãs (ou Roberto Carlos) – O Portão: ‘Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou. Acho que só eu mesmo mudei e voltei!’

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

05/01/-09 - Neve e Volta às aulas

Muitos de vocês deveriam estar pensando: ‘Pôxa, esse cara ta de sacanagem! Ele num foi pra lá pra estudar não, foi é pra fazer turismo!’. Infelizmente não foi para fazer turismo e hoje minhas aulas voltaram, mais cedo do que muita gente poderia esperar, mas no tempo certo para que as coisas possam ser bem aproveitadas aqui na Inglaterra, com algumas surpresas notáveis e felizes para mim. Vamos a algumas delas:

No início do dia, logo após o meu café da manhã diminuto, saí à rua em direção a escola e com quê me deparo? Neve. Sim, muita neve! Muito mais do que semana passada e daquela neve em que é possível fazer bolinhas e atirá-las nas árvores – porque o humor e postura britânica não permite esse tipo de brincadeiras com seres humanos, talvez, no máximo, com cães e cavalos – as ruas estavam cheias e cobertas de branco, justo no único dia em que não levei minha câmera fotográfica comigo. Uma pena, pois a visão dos campos da escola cobertos de gelo foi única. O mais belo, entretanto, estava por vir. Passados quarenta minutos da minha avaliação de nível, olho pela janela e vejo uma chuva de neve. É incrível. Flocos caíam do céu e a impressão de que estava assistindo algum filme hollywoodiano de Natal ou olhando para um daqueles globos cheios de precipitação sólida era real. Neste momento olho pela minha janela e não vejo neve, chuva ou algo do tipo, mas a previsão para esta noite é de -4 Celsius. Absurdamente incrível para a primeira vez de um brasileiro. Na neve, claro.

Saí do teste já feliz com a minha visão polar e fiquei melhor ainda depois de ouvir um certo idioma que eu dominava. Não, não era espanhol porque esse eu apenas arranho. E arranho pouquíssimo. Um grupo de brasileiros, gigantesco, quinze brasileiros distribuídos entre meninas e meninos, todos ou mais novos que eu ou da minha idade, fluminenses de nascimento e sotaque inconfundível e que, obviamente, zombaram do meu sotaque e dialeto paulisssssta. Muitos são simpáticos e parece que haverá um contato e gente com quem conversar. Três deles, duas meninas e um menino, ingressaram na minha sala de Upper-Intermediate,um alívio pois depois de duas semanas sem muitos estudo não piorei (mas também não melhorei). Mas também prova que o nível de um estudante de inglês no Brasil não quer dizer absolutamente nada por aqui já que não conheci nenhum brasileiro que subiu ao nível avançado. Os ingleses são pragmáticos o que demonstra que as coisas nunca mudam muito para eles. Aliás, pelo menos a pontuação do meu teste de listening eu sei: 84%, literalmente já que o teste era composto de 100 questões de áudio. Comparando com alguns níveis e sabendo que a minha classe compõe algumas pessoas com base e pretensão de prestar o FCE (First Certificate in English – importantíssimo para empresas ou se você quer ingressar no High School aqui, mas inútil para quem quer tentar uma instituição de ensino superior já que eles requerem o IELTS) que conseguiram pontuações mais baixas que as minhas.

As aulas terminaram e encontrei meu outro amigo Vicente e o coreano Jin que permaneceu na mesma sala que eu, mas está tentando uma mudança para aulas específicas de FCE já que ele não considera que aquelas aulas o ajudarão completamente a conseguir levar o canudo para a Coréia do Sul. O brasileiro voltou de Paris ontem e me contou as aventuras dele na Europa onde passou por Londres, Florença, Roma, Veneza, Nice e terminou em Paris. Ainda não me acometi a loucura de gastar a fortuna que ele despendeu somente em transportes após um planejamento logístico mal feito – para isso que serve o Liceu para aqueles que ainda não entendiam a real razão de estudar lá. A minha situação fica confortável e espero começar a estudar mais já que não descarto uma tentativa de atingir níveis mais altos de inglês quando retornar à pátria-mãe.

Meus jantares baseados em batata, na verdade uma torta de batatas com recheio de carne moída e um molho de coloração estranha, mas de gosto superior aos molhos vermelhos encontrados por aí. Sem contar os pães para acompanhar o jantar já que, depois de desmontar toda a torta você tem que administrar a relação batatas amassadas + creme quente + carne = quase sopa após processo de entrada no liquidificador. Terminei, com isso, minha jornada por hoje esperando mais neve e frio amanhã, mas com a certeza de que o amanhã promete ser bem melhor do que hoje foi. E hoje foi fantástico!

Trilha Sonora do Dia: Keane – Spiralling: ‘Did you wanna be a winner? Did you wanna be an icon?Did you wanna be famous? Did you wanna be the president? Did you wanna start a war? Did you wanna have a family? Did you wanna be in love? DID YOU WANNA BE IN LOVE?’

P.S: Quero ir ao show deles quando voltar. Só pros íntimos.

sábado, 3 de janeiro de 2009

03/01/09 - Voltei!

Antes de qualquer coisa já avisarei: este será um post gigantesco, enorme, onde tentarei lembrar-me de todos os detalhes possíveis da minha estada em Londres. Se não tiver paciência, acho que não vale muito a pena nem começar a ler. Mas vamos aos fatos e o contar sobre Londres, a única cidade do mundo onde você ouve mais gente falando qualquer idioma, menos o local.


A saída de Eastbourne para a capital da Inglaterra já estava programada desde o fim das minhas aulas aqui. Tinha comprado passagens mais baratas e com uma flexibilização de tempo menor, tudo para poder gastar o menos possível. Acabei passando na biblioteca da cidade antes de sair para Londres, já que precisava me localizar melhor e descobrir os passos para chegar no hostel. Descobri que o Google não é tão bom quanto GPS. Embarquei no trem que partia às 10:27. Sem nenhum atraso, a composição ia com destino à Londres e as coisas no trem andavam muito bem. O trem é confortável, cada um com seus bancos estofados e uma mesa de centro para refeições se necessário – ou caso o passageiro deseje comer algo – sendo que um funcionário da companhia de trens passa com carrinhos oferecendo lanches e bebidas de todos os tipos, claro, para ganhar um extra sobre os já pagantes passageiros. Além deste, outro funcionário passa por entre os vagões conferindo os tickets e, caso não possua um ticket válido, terá que pagar uma multa com o dobro do valor da passagem original. Sei que ninguém pareceu ter problemas e as coisas correram muito bem durante uma hora e trinta e cinco minutos de viagem.

Desembarquei na estação de London Victoria, uma das maiores da cidade e que faz conexão com todos os trens que vão para o sul do país. Esta é uma curiosidade interessante sobre Londres. As linhas de trem que chegam na cidade são acopladas à estações de metrô e existe uma ordem lógica sendo que determinada estação leva a um certo canto do país, sendo London Victoria para o Sul, King’s Cross para o Norte e assim por diante. Após sair da plataforma e ir em direção a saída percebi que já não estava numa cidadezinha do interior e que ai as coisas poderiam ser diferentes. A London Victoria é gigantesca com luminosos por todos os cantos e coloca no bolso, em seu tamanho e maestria, a estação da Luz em São Paulo. Depois de passar alguns minutos correndo igual cachorro atrás do rabo, dando voltas e não sabendo me movimentar pela cidade, resolvi fazer o mais fácil e comprar a passagem para chegar ao meu hostel, sem inventar e tentar chegar lá a pé o que seria impossível para mim naquele momento. Peguei a linha circular – sim, ela realmente faz um círculo no centro da cidade – e me dirigi à Gloucester Road Station onde meu hostel estava localizado.

Andei mais um pouco como cachorro atrás do rabo e depois de perguntar para um simpático indiano em uma loja de celulares consegui encontrar o albergue. Chegando lá percebi que o espaço era grande e que poderia ser bom, mas fiquei assustado quando eles pediram para reter meu passaporte como garantia das chaves e que as devolveria. Me senti como Hamlet com a questão do ‘Ser ou Não Ser?’ porém a minha dúvida era: ‘Deixar ou Não Deixar?’. Deixei com uma certa apreensão e consegui almoçar, mas as batatas me perseguiram mesmo que fosse uma pequena porção delas. Depois do almoço fui ao meu quarto ver como seria minha noite ali e como seria o meu companheiro de quarto. Ao entrar um cheiro estranho, próprio das pessoas do Oriente Médio, exalava pela porta do quarto. Era uma e meia da tarde. Abri a porta e vi um quarto escuro com a minha suposta cama ocupada por algumas roupas e um homem dormia encolhido na outra cama. Desisti de tentar fazer contato e só esperaria para ver como seria minha noite de Ano Novo ali. Resolvi sair e fui fazer minha primeira aventura: visitar o Big Ben.

Estava bravo porque teria de passar a noite naquele quarto estranho e não gostei do metrô londrino. Uma pontinha de preconceito estava intrínseca dentro de mim já que a cidade estava me desapontando um pouco até ali. Tudo mudou quando desci na estação Westminster. Uma das visões que jamais esquecerei provavelmente. Saindo da estação, à minha esquerda eu vi a London Eye que chamava mais atenção do que qualquer outra coisa naquele centro. Ela é indescritível e absurdamente maravilhosa. Olhei para trás e o que vi foi o Big Ben, ali, imponente e costurado no meio da paisagem da cidade com a soberba londrina sob o povo. Lindo. Andei um pouco mais, fiquei vislumbrado com aquelas duas jóias da arquitetura e passei, pelo menos uma hora, olhando para ambos e realizando que eu estava ali em Londres. Resolvi ligar para minha prima para que ela pudesse ser minha guia e companhia na noite de Ano Novo. Ela me atendeu e combinamos de nos encontrarmos na estação de trens de Waterloo.
As cinco e meia da tarde ela chegou, conversamos um pouco e fomos em direção ao Tamisa onde andamos por boa parte margeando-o até que o atravessamos e paramos em pub antes de nos direcionarmos a casa dos amigos dela.

Assim fomos à casa de um casal de chilenos, Ana e Patrício – acho que este era o nome dele, se não era peço a Fabiana (minha prima) que me corrija - que me receberam da melhor forma possível. Simpáticos quiseram saber como eu estava aqui na Inglaterra e, além disso tudo, ainda tive minha primeira refeição sem batatas já que ela fez uma lasanha ao molho branco que me deixou muito mais feliz de estar ali em Londres. O jantar foi ótimo, eles também e voltamos à beira do Tamisa para vermos os fogos. Mas não me impressionei. Além da nossa visão não ser a melhor possível já que estávamos sendo impedidos de ver boa parte dos fogos por dois prédios que ocultava o resto do London Eye. Vi um pouco e sem muito para me impressionar, mas o clima que ali dominou foi muito diferente. Fiz meus pedidos de Ano Novo e assim fomos andando em direção a casa dos amigos da Fabi já que o metrô só reabriria depois das duas da manhã. Andamos uma hora e meia até a casa do casal chileno e assim que lá chegamos resolvemos ir embora e pegar algum ônibus que nos levasse para o metrô. Todos os transportes públicos naquela madrugada estavam funcionando sem custo algum. Antes de pegar o coletivo, entretanto, tentei ligar para as pessoas no Brasil e minha família foram os únicos que responderam minhas chamadas. Na verdade, a conexão estava impossível então não culpo absolutamente ninguém. Voltamos e da estação de Elephant&Castle fui em para o hostel. Fiz uma última tentativa de falar com a minha namorada antes de tentar dormir e depois de todos os telefones possíveis não conseguirem uma conexão pedi que pela sorte do meu Ano Novo conseguisse um contato com ela, nem que fosse por pensamento. Pela última ligação, depois de trinta segundos sem resposta, o telefone tocou e nos falamos em uma noite de Ano Novo que tinha sido boa para mim, mas que me faltavam algumas coisas. Desliguei depois de alguns minutos, cheguei ao hostel com um certo desagrado de dormir naquele quarto e quando entrei vi uma carta em cima da minha cama. Logo pensei no meu passaporte ou que eles me cobrassem alguma coisa à mais. Quando abri a carta destinada ao Mr. Ervaz Garcia vi que era a chave de um novo quarto no terceiro andar do hostel. Fui pensando que poderia ser pior com mais pessoas no quarto, mas assim que abri a porta vi um quarto individual, quentíssimo com uma cama só para mim. Meu novo ano começava com mais sorte do que eu esperava.

Acordei cedo no dia seguinte, mas não cedo o bastante para tomar o café da manhã. Decidi que iría explorar a região, sem a menor necessidade de gastar um tostão das minhas libras. Logo, ao longo da avenida que cruzava com a Gloucester Road, achei o Natural History Museum. Um espetáculo à parte. Com entrada de graça e a ossada de um dinossauro visível logo na parte central do museu a visita foi mais proveitosa do que o esperado. O problema foram as quatro horas que gastei lá dentro que me impediram de ver muito mais na cidade. Saí dali, depois de todos os dinossauros e animais da face da terra, além das pedras preciosas e do tronco de uma sequóia gigante. Me dirigi com a certeza de que encontraria o Palácio de Buckingham, independentemente do tempo e da distância. A realidade é que andei por mais de uma hora, atravessei o Hyde Park, uma espécie de Ibirapuera deles, até que vi a primeira placa com indicação à residência da rainha. Caminhei mais alguns minutos até que vi o Buckingham. Ele é bonito, mas não impressiona. Não é enorme, não mostra imponência, mas, mesmo assim, continua sendo vistoso. Milhares de pessoas tiravam fotos da fachada e eu ali no meio. Depois de fotografar um pouco reparei em uma placa que no dia seguinte, às onze e meia da manhã, a Troca da Guarda ocorreria. Foi o motivo que precisava para ocupar um pouco mais a Fabiana. Saí de lá e fui andando até a London Eye e o Big Ben que são muito mais bonitos a noite. Andei um pouco mais, fui em alguns centros de cultura, mas nada naquele dia de ano nada estava acontecendo, então resolvi voltar para casa de metrô. Voltei, li muito da minha World Soccer e resolvi ligar para a família, um pouco mais para matar a saudade e contar como aqui estava. É bom estar perto quando se está muito longe.

A noite não foi das melhores, acordei algumas vezes, mas não me impediu de descansar um pouco para o dia que viria. Acordei, meu café da manhã, desta vez, foi possível e o meu check-out sendo possível com o italiano dono do hostel me agradecendo por ter devolvido as chaves, coisa que alguns estudantes não o faziam. E eu o agradeci, inconscientemente, por ter devolvido, aparentemente, meu passaporte em perfeitas condições. Saí e esperei na Gloucester Road Station até as dez e meia quando me encontrei com a Fabiana para assistirmos a Troca da Guarda. Chegamos lá por volta das onze da meia e, apesar do milhar número de pessoas, conseguimos nos encaixar e assistir a entrada e a saída dos oficiais do Palácio. A cerimônia é bonita e, foi, um tanto quanto engraçada, principalmente quando os guardas, naquela postura, polidos e garbosos, tocando a música tema do filme Rocky ou ‘Don’t Give Love a Bad Name’ do Bon Jovi. Impossível de imaginar aquilo e, pior ainda, hilário para aquelas figuras tão sérias.

Saí satisfeito com a minha prima me guiando e a partir dali fizemos um tour, passando por alguns pontos turísticos importantes como a Torre de Londres e a Ponte de Londres. Impressionantemente, nada que chamasse muita atenção, apesar da ponte ser impressionantemente bem construída. Depois disso andamos em direção a Catedral de Saint Paul, onde a Diana e o Charles casaram; a decepção ali veio co a cobrança de uma entrada caríssima, principalmente por se tratar de uma igreja. Um absurdo. Não pagamos, como bons brasileiros ‘focados’ e tiramos fotos de fora da basílica.

Ali a fome batia forte e precisávamos comer algo. Aí veio a idéia de conhecer a Picadilly Circus, centro de Londres, onde estão as boas lojas e os teatros mais conhecidos. Ali chegamos, um lugar onde percebe-se que é Londres, pelo fluxo de pessoas e pela quantidade de lojas. Achamos logo uma Pizza Hut onde comemos no rodízio de pizzas e pastas e passamos um bom tempo jogando conversa fora e dizendo nossas impressões do que é a Inglaterra. A Fabiana, assim como eu, tem o sentimento de que as coisas aqui, apesar de serem boas, não são o sonho imaginado quando estamos no Brasil. Após tudo isso, decidimos dar mais uma volta pela região, observar algumas lojas, ir ao Mercado de Convent Garden, onde inúmeros artistas se apresentam, uma região um pouco mais povão de Londres e fechar a noite em outro pub onde jogamos mais conversa fora e ficamos nos lembrando da terra natal, sem ela, antes, destacar que, essa experiência única tem de ser vivida ao máximo. E é o que estou tentando, mesmo não sendo das coisas mais fáceis e algo fora da alçada de entendimento de alguém que não está na nossa – minha e da Fabiana – posição.

O tempo urgia e resolvi sair do pub por volta das nove da noite com a esperança de pegar o trem com direção a Eastbourne. Consegui, cheguei na London Victoria faltando dezessete minutos para o trem partir e embarquei com um pouco de medo já que, se pegasse os vagões errados, iria para a outra ponta da Inglaterra. Mais ou menos assim: o trem contava com oito vagões. Deste oito, os quatro primeiros viriam para Eastbourne, os quatro últimos iriam para Littlehampton, cidade ao sul também, mas na outra ponta do Reino Unido. Só me tranqüilizei quando passou a estação em que os trens se separavam e o maquinista anunciou que aquele trem iria em direção em Hastings com parada em Eastbourne. Cheguei tranqüilamente, não tive problemas no caminho para casa, exceto pelo frio e ao abrir a porá do meu quarto me deparei com um rádio. A Mrs. June me arrumou o aparelho e agora vou descobrir como são as estações daqui, além de poder ouvir jogos sem ter que ir ao pub. Tudo vai ajudando neste começo de 2009, mesmo faltando sete semanas na Inglaterra, algo que pode vir a ser bom.

P.S: Como não estou no Brasil ainda e o Word não atualizou as regras ortográficas me desculpem por qualquer erro aqui não percebido.

Trilha Sonora do Dia: Kings of Leon – Charmer: ‘She’s such a charmer, oh no!’