Muitos de vocês deveriam estar pensando: ‘Pôxa, esse cara ta de sacanagem! Ele num foi pra lá pra estudar não, foi é pra fazer turismo!’. Infelizmente não foi para fazer turismo e hoje minhas aulas voltaram, mais cedo do que muita gente poderia esperar, mas no tempo certo para que as coisas possam ser bem aproveitadas aqui na Inglaterra, com algumas surpresas notáveis e felizes para mim. Vamos a algumas delas:
No início do dia, logo após o meu café da manhã diminuto, saí à rua em direção a escola e com quê me deparo? Neve. Sim, muita neve! Muito mais do que semana passada e daquela neve em que é possível fazer bolinhas e atirá-las nas árvores – porque o humor e postura britânica não permite esse tipo de brincadeiras com seres humanos, talvez, no máximo, com cães e cavalos – as ruas estavam cheias e cobertas de branco, justo no único dia em que não levei minha câmera fotográfica comigo. Uma pena, pois a visão dos campos da escola cobertos de gelo foi única. O mais belo, entretanto, estava por vir. Passados quarenta minutos da minha avaliação de nível, olho pela janela e vejo uma chuva de neve. É incrível. Flocos caíam do céu e a impressão de que estava assistindo algum filme hollywoodiano de Natal ou olhando para um daqueles globos cheios de precipitação sólida era real. Neste momento olho pela minha janela e não vejo neve, chuva ou algo do tipo, mas a previsão para esta noite é de -4 Celsius. Absurdamente incrível para a primeira vez de um brasileiro. Na neve, claro.
Saí do teste já feliz com a minha visão polar e fiquei melhor ainda depois de ouvir um certo idioma que eu dominava. Não, não era espanhol porque esse eu apenas arranho. E arranho pouquíssimo. Um grupo de brasileiros, gigantesco, quinze brasileiros distribuídos entre meninas e meninos, todos ou mais novos que eu ou da minha idade, fluminenses de nascimento e sotaque inconfundível e que, obviamente, zombaram do meu sotaque e dialeto paulisssssta. Muitos são simpáticos e parece que haverá um contato e gente com quem conversar. Três deles, duas meninas e um menino, ingressaram na minha sala de Upper-Intermediate,um alívio pois depois de duas semanas sem muitos estudo não piorei (mas também não melhorei). Mas também prova que o nível de um estudante de inglês no Brasil não quer dizer absolutamente nada por aqui já que não conheci nenhum brasileiro que subiu ao nível avançado. Os ingleses são pragmáticos o que demonstra que as coisas nunca mudam muito para eles. Aliás, pelo menos a pontuação do meu teste de listening eu sei: 84%, literalmente já que o teste era composto de 100 questões de áudio. Comparando com alguns níveis e sabendo que a minha classe compõe algumas pessoas com base e pretensão de prestar o FCE (First Certificate in English – importantíssimo para empresas ou se você quer ingressar no High School aqui, mas inútil para quem quer tentar uma instituição de ensino superior já que eles requerem o IELTS) que conseguiram pontuações mais baixas que as minhas.
As aulas terminaram e encontrei meu outro amigo Vicente e o coreano Jin que permaneceu na mesma sala que eu, mas está tentando uma mudança para aulas específicas de FCE já que ele não considera que aquelas aulas o ajudarão completamente a conseguir levar o canudo para a Coréia do Sul. O brasileiro voltou de Paris ontem e me contou as aventuras dele na Europa onde passou por Londres, Florença, Roma, Veneza, Nice e terminou em Paris. Ainda não me acometi a loucura de gastar a fortuna que ele despendeu somente em transportes após um planejamento logístico mal feito – para isso que serve o Liceu para aqueles que ainda não entendiam a real razão de estudar lá. A minha situação fica confortável e espero começar a estudar mais já que não descarto uma tentativa de atingir níveis mais altos de inglês quando retornar à pátria-mãe.
Meus jantares baseados em batata, na verdade uma torta de batatas com recheio de carne moída e um molho de coloração estranha, mas de gosto superior aos molhos vermelhos encontrados por aí. Sem contar os pães para acompanhar o jantar já que, depois de desmontar toda a torta você tem que administrar a relação batatas amassadas + creme quente + carne = quase sopa após processo de entrada no liquidificador. Terminei, com isso, minha jornada por hoje esperando mais neve e frio amanhã, mas com a certeza de que o amanhã promete ser bem melhor do que hoje foi. E hoje foi fantástico!
Trilha Sonora do Dia: Keane – Spiralling: ‘Did you wanna be a winner? Did you wanna be an icon?Did you wanna be famous? Did you wanna be the president? Did you wanna start a war? Did you wanna have a family? Did you wanna be in love? DID YOU WANNA BE IN LOVE?’
P.S: Quero ir ao show deles quando voltar. Só pros íntimos.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
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Termina o post com um 'hmmmmmm' e um suspiro, só pros intimos. (sorrisão haha)
ResponderExcluirOlha como o mundo está louco. Você mesmo me disse que não nevava há anos aí, e veja só. Você prometeu que ia trazer neve, lembra? Pois então, esquece, só fiz você prometer porque você tinha falado que não nevava.
E quantos brasileiros. E cariocas. Agora sim você volta um belo de um carioca de vez!
Beeeeeeeeeeeeijos.
Até que enfim começou a estudar. Não era sem tempo ! Vamos ver se tira o atraso. Só Upper-Intermediate? Tambem se vc já entrasse no hiper-ultra-high-advanced level, nem precisava ir até aí estudar, né meu ?!?! Tem que melhorar alguma coisa para a viagem valer a pena !!!
ResponderExcluirExplicando o final do seu post: entenda a mensagem subliminar no texto, pois onde esta escrito: "Quero ir ao show deles qdo voltar. Só para os íntimos" , entenda-se "Quero ir ao show deles qdo voltar. Pai, posso?"
Qdo voltar nós conversaremos.
Um beijão.