sábado, 3 de janeiro de 2009

03/01/09 - Voltei!

Antes de qualquer coisa já avisarei: este será um post gigantesco, enorme, onde tentarei lembrar-me de todos os detalhes possíveis da minha estada em Londres. Se não tiver paciência, acho que não vale muito a pena nem começar a ler. Mas vamos aos fatos e o contar sobre Londres, a única cidade do mundo onde você ouve mais gente falando qualquer idioma, menos o local.


A saída de Eastbourne para a capital da Inglaterra já estava programada desde o fim das minhas aulas aqui. Tinha comprado passagens mais baratas e com uma flexibilização de tempo menor, tudo para poder gastar o menos possível. Acabei passando na biblioteca da cidade antes de sair para Londres, já que precisava me localizar melhor e descobrir os passos para chegar no hostel. Descobri que o Google não é tão bom quanto GPS. Embarquei no trem que partia às 10:27. Sem nenhum atraso, a composição ia com destino à Londres e as coisas no trem andavam muito bem. O trem é confortável, cada um com seus bancos estofados e uma mesa de centro para refeições se necessário – ou caso o passageiro deseje comer algo – sendo que um funcionário da companhia de trens passa com carrinhos oferecendo lanches e bebidas de todos os tipos, claro, para ganhar um extra sobre os já pagantes passageiros. Além deste, outro funcionário passa por entre os vagões conferindo os tickets e, caso não possua um ticket válido, terá que pagar uma multa com o dobro do valor da passagem original. Sei que ninguém pareceu ter problemas e as coisas correram muito bem durante uma hora e trinta e cinco minutos de viagem.

Desembarquei na estação de London Victoria, uma das maiores da cidade e que faz conexão com todos os trens que vão para o sul do país. Esta é uma curiosidade interessante sobre Londres. As linhas de trem que chegam na cidade são acopladas à estações de metrô e existe uma ordem lógica sendo que determinada estação leva a um certo canto do país, sendo London Victoria para o Sul, King’s Cross para o Norte e assim por diante. Após sair da plataforma e ir em direção a saída percebi que já não estava numa cidadezinha do interior e que ai as coisas poderiam ser diferentes. A London Victoria é gigantesca com luminosos por todos os cantos e coloca no bolso, em seu tamanho e maestria, a estação da Luz em São Paulo. Depois de passar alguns minutos correndo igual cachorro atrás do rabo, dando voltas e não sabendo me movimentar pela cidade, resolvi fazer o mais fácil e comprar a passagem para chegar ao meu hostel, sem inventar e tentar chegar lá a pé o que seria impossível para mim naquele momento. Peguei a linha circular – sim, ela realmente faz um círculo no centro da cidade – e me dirigi à Gloucester Road Station onde meu hostel estava localizado.

Andei mais um pouco como cachorro atrás do rabo e depois de perguntar para um simpático indiano em uma loja de celulares consegui encontrar o albergue. Chegando lá percebi que o espaço era grande e que poderia ser bom, mas fiquei assustado quando eles pediram para reter meu passaporte como garantia das chaves e que as devolveria. Me senti como Hamlet com a questão do ‘Ser ou Não Ser?’ porém a minha dúvida era: ‘Deixar ou Não Deixar?’. Deixei com uma certa apreensão e consegui almoçar, mas as batatas me perseguiram mesmo que fosse uma pequena porção delas. Depois do almoço fui ao meu quarto ver como seria minha noite ali e como seria o meu companheiro de quarto. Ao entrar um cheiro estranho, próprio das pessoas do Oriente Médio, exalava pela porta do quarto. Era uma e meia da tarde. Abri a porta e vi um quarto escuro com a minha suposta cama ocupada por algumas roupas e um homem dormia encolhido na outra cama. Desisti de tentar fazer contato e só esperaria para ver como seria minha noite de Ano Novo ali. Resolvi sair e fui fazer minha primeira aventura: visitar o Big Ben.

Estava bravo porque teria de passar a noite naquele quarto estranho e não gostei do metrô londrino. Uma pontinha de preconceito estava intrínseca dentro de mim já que a cidade estava me desapontando um pouco até ali. Tudo mudou quando desci na estação Westminster. Uma das visões que jamais esquecerei provavelmente. Saindo da estação, à minha esquerda eu vi a London Eye que chamava mais atenção do que qualquer outra coisa naquele centro. Ela é indescritível e absurdamente maravilhosa. Olhei para trás e o que vi foi o Big Ben, ali, imponente e costurado no meio da paisagem da cidade com a soberba londrina sob o povo. Lindo. Andei um pouco mais, fiquei vislumbrado com aquelas duas jóias da arquitetura e passei, pelo menos uma hora, olhando para ambos e realizando que eu estava ali em Londres. Resolvi ligar para minha prima para que ela pudesse ser minha guia e companhia na noite de Ano Novo. Ela me atendeu e combinamos de nos encontrarmos na estação de trens de Waterloo.
As cinco e meia da tarde ela chegou, conversamos um pouco e fomos em direção ao Tamisa onde andamos por boa parte margeando-o até que o atravessamos e paramos em pub antes de nos direcionarmos a casa dos amigos dela.

Assim fomos à casa de um casal de chilenos, Ana e Patrício – acho que este era o nome dele, se não era peço a Fabiana (minha prima) que me corrija - que me receberam da melhor forma possível. Simpáticos quiseram saber como eu estava aqui na Inglaterra e, além disso tudo, ainda tive minha primeira refeição sem batatas já que ela fez uma lasanha ao molho branco que me deixou muito mais feliz de estar ali em Londres. O jantar foi ótimo, eles também e voltamos à beira do Tamisa para vermos os fogos. Mas não me impressionei. Além da nossa visão não ser a melhor possível já que estávamos sendo impedidos de ver boa parte dos fogos por dois prédios que ocultava o resto do London Eye. Vi um pouco e sem muito para me impressionar, mas o clima que ali dominou foi muito diferente. Fiz meus pedidos de Ano Novo e assim fomos andando em direção a casa dos amigos da Fabi já que o metrô só reabriria depois das duas da manhã. Andamos uma hora e meia até a casa do casal chileno e assim que lá chegamos resolvemos ir embora e pegar algum ônibus que nos levasse para o metrô. Todos os transportes públicos naquela madrugada estavam funcionando sem custo algum. Antes de pegar o coletivo, entretanto, tentei ligar para as pessoas no Brasil e minha família foram os únicos que responderam minhas chamadas. Na verdade, a conexão estava impossível então não culpo absolutamente ninguém. Voltamos e da estação de Elephant&Castle fui em para o hostel. Fiz uma última tentativa de falar com a minha namorada antes de tentar dormir e depois de todos os telefones possíveis não conseguirem uma conexão pedi que pela sorte do meu Ano Novo conseguisse um contato com ela, nem que fosse por pensamento. Pela última ligação, depois de trinta segundos sem resposta, o telefone tocou e nos falamos em uma noite de Ano Novo que tinha sido boa para mim, mas que me faltavam algumas coisas. Desliguei depois de alguns minutos, cheguei ao hostel com um certo desagrado de dormir naquele quarto e quando entrei vi uma carta em cima da minha cama. Logo pensei no meu passaporte ou que eles me cobrassem alguma coisa à mais. Quando abri a carta destinada ao Mr. Ervaz Garcia vi que era a chave de um novo quarto no terceiro andar do hostel. Fui pensando que poderia ser pior com mais pessoas no quarto, mas assim que abri a porta vi um quarto individual, quentíssimo com uma cama só para mim. Meu novo ano começava com mais sorte do que eu esperava.

Acordei cedo no dia seguinte, mas não cedo o bastante para tomar o café da manhã. Decidi que iría explorar a região, sem a menor necessidade de gastar um tostão das minhas libras. Logo, ao longo da avenida que cruzava com a Gloucester Road, achei o Natural History Museum. Um espetáculo à parte. Com entrada de graça e a ossada de um dinossauro visível logo na parte central do museu a visita foi mais proveitosa do que o esperado. O problema foram as quatro horas que gastei lá dentro que me impediram de ver muito mais na cidade. Saí dali, depois de todos os dinossauros e animais da face da terra, além das pedras preciosas e do tronco de uma sequóia gigante. Me dirigi com a certeza de que encontraria o Palácio de Buckingham, independentemente do tempo e da distância. A realidade é que andei por mais de uma hora, atravessei o Hyde Park, uma espécie de Ibirapuera deles, até que vi a primeira placa com indicação à residência da rainha. Caminhei mais alguns minutos até que vi o Buckingham. Ele é bonito, mas não impressiona. Não é enorme, não mostra imponência, mas, mesmo assim, continua sendo vistoso. Milhares de pessoas tiravam fotos da fachada e eu ali no meio. Depois de fotografar um pouco reparei em uma placa que no dia seguinte, às onze e meia da manhã, a Troca da Guarda ocorreria. Foi o motivo que precisava para ocupar um pouco mais a Fabiana. Saí de lá e fui andando até a London Eye e o Big Ben que são muito mais bonitos a noite. Andei um pouco mais, fui em alguns centros de cultura, mas nada naquele dia de ano nada estava acontecendo, então resolvi voltar para casa de metrô. Voltei, li muito da minha World Soccer e resolvi ligar para a família, um pouco mais para matar a saudade e contar como aqui estava. É bom estar perto quando se está muito longe.

A noite não foi das melhores, acordei algumas vezes, mas não me impediu de descansar um pouco para o dia que viria. Acordei, meu café da manhã, desta vez, foi possível e o meu check-out sendo possível com o italiano dono do hostel me agradecendo por ter devolvido as chaves, coisa que alguns estudantes não o faziam. E eu o agradeci, inconscientemente, por ter devolvido, aparentemente, meu passaporte em perfeitas condições. Saí e esperei na Gloucester Road Station até as dez e meia quando me encontrei com a Fabiana para assistirmos a Troca da Guarda. Chegamos lá por volta das onze da meia e, apesar do milhar número de pessoas, conseguimos nos encaixar e assistir a entrada e a saída dos oficiais do Palácio. A cerimônia é bonita e, foi, um tanto quanto engraçada, principalmente quando os guardas, naquela postura, polidos e garbosos, tocando a música tema do filme Rocky ou ‘Don’t Give Love a Bad Name’ do Bon Jovi. Impossível de imaginar aquilo e, pior ainda, hilário para aquelas figuras tão sérias.

Saí satisfeito com a minha prima me guiando e a partir dali fizemos um tour, passando por alguns pontos turísticos importantes como a Torre de Londres e a Ponte de Londres. Impressionantemente, nada que chamasse muita atenção, apesar da ponte ser impressionantemente bem construída. Depois disso andamos em direção a Catedral de Saint Paul, onde a Diana e o Charles casaram; a decepção ali veio co a cobrança de uma entrada caríssima, principalmente por se tratar de uma igreja. Um absurdo. Não pagamos, como bons brasileiros ‘focados’ e tiramos fotos de fora da basílica.

Ali a fome batia forte e precisávamos comer algo. Aí veio a idéia de conhecer a Picadilly Circus, centro de Londres, onde estão as boas lojas e os teatros mais conhecidos. Ali chegamos, um lugar onde percebe-se que é Londres, pelo fluxo de pessoas e pela quantidade de lojas. Achamos logo uma Pizza Hut onde comemos no rodízio de pizzas e pastas e passamos um bom tempo jogando conversa fora e dizendo nossas impressões do que é a Inglaterra. A Fabiana, assim como eu, tem o sentimento de que as coisas aqui, apesar de serem boas, não são o sonho imaginado quando estamos no Brasil. Após tudo isso, decidimos dar mais uma volta pela região, observar algumas lojas, ir ao Mercado de Convent Garden, onde inúmeros artistas se apresentam, uma região um pouco mais povão de Londres e fechar a noite em outro pub onde jogamos mais conversa fora e ficamos nos lembrando da terra natal, sem ela, antes, destacar que, essa experiência única tem de ser vivida ao máximo. E é o que estou tentando, mesmo não sendo das coisas mais fáceis e algo fora da alçada de entendimento de alguém que não está na nossa – minha e da Fabiana – posição.

O tempo urgia e resolvi sair do pub por volta das nove da noite com a esperança de pegar o trem com direção a Eastbourne. Consegui, cheguei na London Victoria faltando dezessete minutos para o trem partir e embarquei com um pouco de medo já que, se pegasse os vagões errados, iria para a outra ponta da Inglaterra. Mais ou menos assim: o trem contava com oito vagões. Deste oito, os quatro primeiros viriam para Eastbourne, os quatro últimos iriam para Littlehampton, cidade ao sul também, mas na outra ponta do Reino Unido. Só me tranqüilizei quando passou a estação em que os trens se separavam e o maquinista anunciou que aquele trem iria em direção em Hastings com parada em Eastbourne. Cheguei tranqüilamente, não tive problemas no caminho para casa, exceto pelo frio e ao abrir a porá do meu quarto me deparei com um rádio. A Mrs. June me arrumou o aparelho e agora vou descobrir como são as estações daqui, além de poder ouvir jogos sem ter que ir ao pub. Tudo vai ajudando neste começo de 2009, mesmo faltando sete semanas na Inglaterra, algo que pode vir a ser bom.

P.S: Como não estou no Brasil ainda e o Word não atualizou as regras ortográficas me desculpem por qualquer erro aqui não percebido.

Trilha Sonora do Dia: Kings of Leon – Charmer: ‘She’s such a charmer, oh no!’

6 comentários:

  1. Não tem erro, bobo. As regras ortográficas antigas ainda são válidas, acho que até 2012. Sei lá.

    Pára de falar que a Inglaterra não é sensacional. Okay, ela pode não ser a nossa urbe incrível paulistana, mas com certeza é fantástica. PORRA, olha a London Eye. E pelo visto você não foi né. Juro, vai pagar caro por não ter ido. Sairia mais barato ter dado uma voltinha lá okay?! Vai apanhar por não trazer as minhas fotos do alto dela HAUEHAUEHAE

    Estou ENCANTADA por você, de verdade. Mas agora preciso ir no shopping com a mamãe para acabar com as liquidações *-*

    Beijos darling. :*

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  2. Fantástico. Me sinto acompanhando voce em seus passeios. Não se esqueça o que o grande Kinz falou:imagens e os sentimentos são algo que não tem preço (na verdade tem. Mas prefiro não falar nisto).
    Aproveite e cuidado com o trem...

    Um beijão

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  3. Estou encantada com a London Eye, de verdade.

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  4. Piazote,

    Excelente: New Year in London. A trilha foi Jingle Bells? eheheh.
    Pubs são bons demais por ai, mas lembre-se que, apesar do valor unitario baixo, o preco é em Pounds carissimos. Só me dei conta depois de encher a cara. Cerveja tem que comprar no mercado e beber na rua.....Eu fiz isso em frente a catedral do casamento...cara demais pra entrar.


    volte pra Londres e vá na London Eye. É joia pracasnario. E vá também no museu de cera da Madame Tussaud.
    Se for para a escócia, vá nos passeios para conhecer casas de WHiskie. Melhor nao dirigir.
    Prima....ehehehe. Joia ter uma guia. (brincadeira).
    Cuidado com o trem??!!!?!? Nenezinho....bua.

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  5. Como sempre o senhorzinho fica acabando com o sonho de ir pra Londres... seu chato... ainda nao consigo acreditar em tudo que diz sobre "nao ser tudo isso"!

    Eu tava em Itanhaem e juro que lembrei de ti no ano novo... alias voltei agora pra ver minha pequena e jaja estou sem internet novamente...

    Entao te cuida champz, aproveite ai, e descubra quando custa a Heineken porra!

    Abraço

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