terça-feira, 20 de janeiro de 2009

20/01/09 - Paris II e a New Age

Parei ontem na igreja do Quasimodo. O objetivo era deixar o pessoal um pouco mais apreensivo e ansioso para ver como os fatos se desenrolavam além, claro, que eu não podia perder um jogo de futebol como Liverpool x Everton estando aqui. Mas retornemos ao que esse blog é proposto há.

Saí de Notre Dame perdido com as outras duas também perdidas. Não sabíamos muito mais o que fazer, por mais incrível que isso possa parecer. As opções eram vastas, porém ninguém tinha muitas idéias já que a tarde caía e deveriam nos encontrar com o resto do grupo as margens do Sena às sete e meia da noite.Conversamos, passamos vontade olhando os crepes sendo produzidos, embarcamos na estação Cite e decidimos que iríamos em direção ao Invalides. Este lugar, não muito famoso em Paris, mas um dos mais bonitos, ficava próximo a Torre Eiffel e de fácil acesso caso nós nos perdêssemos. Fomos e nos vimos perante uma magnificente obra prima da arquitetura em forma de prédio. Ali, segundo diz a história e o nosso guia Gerry, me corrijam se eu estiver errado, por favor, foi um palácio que Napoleão mandou erguer para ser sua casa. O nome, Hotel dês Invalides, que quer dizer exatamente isso que você imaginou, Hotel dos Inválidos, não parece ter alguma expressão lógica. Na sua frente é possível ver muitos canhões, alinhados, como se fosse uma fortaleza, além de jardins lindos. Por dentro, a estrutura é como se fosse a de um quadrado, uma fortaleza protegida por todos os lados. Outro dos lugares onde não esperava ver tanta beleza. A nossa retirada, após descansar as pernas falando besteira e jogando conversa pro ar sentados nos muros dos Inválidos, foi para a Torre Eiffel e andando por vielas charmosíssimas que nos levavam até o grande ponto turístico.
As seis da tarde um sono badalou e a Torre se iluminou. Ali sim pude ver sua toda a sua forma, delineada por aquelas curvas amarelo-ouro que mostravam o que não tinha visto ainda. O dia escurecia lentamente, mas já não era mais possível ver a luz do sol e, imponente, no centro da Ilê-de-France, ela reinava. Me encantei à segunda vista, se é que isso é possível, e sentados nos jardins opostos ao Sena, tirei fotos e imaginei aquela oportunidade toda e tudo que aquilo me representava. Esperei o tempo passar até que pudesse chegar o momento de um cruzeiro no Sena. A idéia parece um pouco de girico, ainda mais com o frio beirando os 0 Celsius e a minha mala cheia nas costas em um rio que não pode ser conhecido por sua extrema beleza e suas águas límpidas. Porém, estava em Paris, precisava aproveitar tudo aquilo que podia e, passear no Sena, era uma dessas coisas que eu me arrependeria de fazer. Depois de esperar na fila por mais de trinta minutos e enfrentar um vento razoável me vi dentro daquele barco, fechado em cima por vidros e que não me transmitia à essência de estar em Paris e, ainda mais, viajando pelo rio. Resolvi sair, deixei minha poltrona, sentei do lado de fora do barco, em sua lateral, entre dois casais, um de italianos outro de espanhóis. A viagem começou e, enquanto as coisas passavam me lembrava de tudo e via o quanto aquilo era bonito, para não dizer romântico e amoroso. Sozinho, entretanto, é algo muito mais que te força a um exercício de memória do que apreciável, apesar da paisagem ser linda e as pessoas te acenarem das margens, desejando ‘Bon voyage’ e afins. A volta, foi melhor, pois a Torre estava como antes, porém, com a diferença das luzes estarem piscando, proporcionando um show pirotécnico em Paris. Naquele exato momento descobri o por quê do título de cidade das luzes.

Até que enfim o ônibus nos esperava e o hotel também. O nome, Premiere Classe, não mentia ao que o estabelecimento representava, mas a distância do centro da cidade assustou. Passamos a noite bem, alimentados por uma pizza que, com muito esforço, poderia ser julgada como razoável e um banho não mais que pouco morno. Bem mesmo fiquei depois de saber da goleada do Timão e como as coisas se encaminham para quando eu estiver de volta. Quem precisa de Ronaldo quando se tem Souzaço e o maestro Douglas? Acordamos sem a mínima vontade de acordar, mas, espertamente, o café da manhã foi a maior refeição do dia. O guia Gerry nos informou que, como não iríamos para Versailles com eles – segui os conselhos do Marcão, ainda mais depois de ver o mau tempo que predominava em Paris – deveríamos nos encontrar na estação da Sacré-Coeur, próximo ao Moulin Rouge e de todos os cancans parisienses. Além disso, ele me mostrou o ‘metrô’ e direcionou-me, junto com as meninas, o que deveríamos fazer caso nos perdêssemos novamente, apesar dele não ter nem reparado a nossa ausência no dia anterior.

Andamos ao metrô de Genervilles e lá encontramos não um metrô no real significado, mas uma estação de RER. Como disse no post anterior, os RERs servem as áreas mais afastadas de Paris, transportando a população menos abastada para o centro, onde trabalham, e depois retorná-los à suas devidas habitações. O problema era que estávamos tão longe, só depois descobrimos que Genervilles era a última estação de sua linha, que o atendente do guichê disse a Nathália: ‘ Então vocês querem ir para Paris?’ Absurdamente, isso mesmo, estávamos fora do perímetro da cidade. Mas não era algo como Guarulhos. Era muito mais afastado. O RER, apesar de não ser o conforto e o luxo em sua primariedade, serviu nos bem, apesar de um certo temor, misturado a preconceito, quando um grupo de árabes entrou no mesmo vagão que nós e começou a conversar alto.
Descemos assim que chegou nossa estação e em menos de dez minutos estávamos no Louvre. O centro da cultura e intelectualidade francesa onde estão reunidas mais belas, e importantes, pinturas e esculturas do mundo, incluindo a Gioconda, também conhecida vulgarmente como Mona Lisa. E ela sim foi a única decepção que tive em Paris. O que você imagina deste quadro que é o mais famoso da história? Gigantesco? Imponente? Atraente? Esqueça qualquer um desses conceitos superlativos. Ela não tem absolutamente nada disso. É um quadro pequeno, insosso e que, se não representasse toda a história de uma geração e de um mestre, não teria grande importância. Além do que existe um grande desperdício de espaço. Aquela pintura com não mais de um metro de altura por sessenta ou setenta centímetros de largura, me corrijam novamente caso haja erro, ocupava toda uma parede na galeria Richelieu do Louvre enquanto outros quadros muito maiores e expressivos ficavam espremidos. Excetuando isso, a vista ao Louvre é mágica e pode durar dias se você for alguém paciente e realmente interessado pela arte em todas as suas formas. É possível ver Picasso, Degas e muito da história francesa sendo contada ali, como os quadros da coroação de Josephine e a batalha ganha por Napoleão onde ele, por sua já sabida excentricidade, toma toda a cena com sua figura ao centro da tela. As esculturas também são uma boa pedida, reunindo história romana, grega e egípcia em grande quantidade e qualidade. É possível ver de Zeus à Vênus de Milo ou tumbas de inúmeros Faraós. Depois de três horas de arte nos cansamos um pouco e o tempo era pouco para ver muito.
À vontade da Luana e, porque não, também nossa, fomos aos Jardins de Luxemburgo. Chegando lá, numa estação colada a de Montparnasse, uma avenida bonita, comercial, mas que não oferece muito mais do que lojas, me impressionei com a estrutura do local. Segundo a conhecedora Nathália aquela é a praia de parisiense, quase um Hyde Park para os londrinos ou o Ibirapuera para nós paulistanos. Naquele parque se destaca a escultura de uma cabeça gigantesca moldada em um material que lembra bronze, mas que não poderia definir só olhando. Além disso, um lago grande reúne as pombas mais insolentes que já vi em frente ao Senado francês. Tudo muito arrumado, estrutura impressionante que reúne banheiros, quadras de tênis, quiosques e parquinhos para crianças. Curiosidade interessante e engraçada: lembram daquele brinquedo, o trepa-trepa? Formada com estruturas metálicas em que a criança se dependura até de ponta cabeça e os pais vão a loucura? Então, nos Jardins Luxemburgueses a armação é em forma de Torre Eiffel. Isso é o que eu chamo brincar com classe.

Não achamos um quiosque que vendesse crepes então tivemos que começar o fim da nossa viagem indo para a estação de Anvers. Chegando lá subimos uma rua que reunia grande quantidade de lojas de souvenires, muita gente e uma ladeira. Alguma semelhança com a Porto Geral é apenas coisa da minha cabeça e coincidência. Chegando ao fim da rua é possível avistar, no alto da Montmartre, a igreja da Sacré-Coeur. Ante de subi-la tive que comer um crepe e uma baguete de presunto e queijo suíço, treinando meu ‘farto’ francês, para comprovar que fui à França a mim mesmo. As escadarias da Sacré-Coeur são extensas e demoradas, mas eu fui na corrida porque não queria ‘perder’ muito tempo. Ao chegar no topo tive a visão de Paris por completo, com todos os seus ângulos. Uma visão linda e esta, realmente, inesquecível. Desci sem antes ser abordado por vendedores ambulantes de miniaturas de Torre Eiffel que eu recusei e segui meu rumo. Sentei um pouco, refleti e desci em direção ao ônibus, tendo a certeza de que a minha vista a mais uma das cidades do mundo tinha sido o melhor possível. E prometendo retorno.
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E o que tem a ver o tal do New Age do título? Bem, vamos as explicações.
Hoje vi, pela televisão na BBC 1, a posse do homem mais poderoso do mundo. Obama parece ter caráter, feições atraentes e um tanto quando diferenciadas para um político que não fica só na básica prolixidade e demagogia. Ele tem idéias interessantíssimas, como a retirada mais breve possível das tropas americanas do Iraque, e teria tudo para se consagrar como um dos melhores presidentes da história. Mas temo por ele.
Não sou analista político e nem tenho condições para tal, mas o peso que jogaram nas costas do senhor Barack é maior que o mundo. Ele terá de resolver os problemas que assolam o mundo devido à crise econômica, botar um fim no preconceito étnico – odeio a palavra racial, além de concertar os subseqüentes erros cometidos pelo governo de seu antecessor. A expectativa é grande, mas ele é um homem só para um mundo que passa por um momento dificílimo. A frase que ele disse, ontem, era mais ou menos assim: ‘Como podemos salvar o mundo? Basicamente, todas as pessoas teriam que fazer o que o piloto do avião que caiu no Hudson semana passada fez: executar seus trabalhos de forma digna e a melhor possível. Se todos assim o fizerem, o mundo, sem dúvida alguma, será um lugar muito melhor e eu não terei grande influência nisso’. Obama está corretíssimo, mas seis bilhões de pessoas esperam um comportamento diferente dele. O que virá nos próximos quatro anos só o tempo dirá, porém ele sabe que assumiu em um momento delicado onde ele terá de ser muito mais que comandante da nação, mas reconciliador, mestre – ainda sendo aprendiz, semeador da paz e agregador de povos. Sem que isso manche a soberba americana. Tarefa dificílima, não?

2 comentários:

  1. Moulin Rouge, sem mais.

    E o Obama, bem, estou lendo o livro dele e ele é, no míííínimo, muito admirável. Não é o tipo de coisa que se resuma a um comentário.

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  2. Eu ainda acho que a Italia é mais artistica que a França! Frances é chato, Italiano é legal! E comida Italiana tb eh melhor que comida Francesa!


    Quanto ao Obama: Yes, We Can!

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