sábado, 27 de dezembro de 2008

27/12/08 - Ida à Brighton


Qual é o teu sonho de criança mais intenso? Alguma coisa que te nutria quando era mais novo e te fazia sonhar que no futuro poderia fazer aquilo. Um destes sonhos era ver neve, uma das razões da minha vinda para a Inglaterra também – vã ilusão. Acontece que Eastbourne é uma cidade ao sul e uma das mais quentes do Reino Unido, logo a possibilidade de eu realizar esse desejo de infância é mínimo. Ou era. Acordei pela manhã, tomei meu café, fui à mercearia que tem aqui do lado de casa, folheei os jornais e saí em direção ao centro da cidade para embarcar com destino à Brighton. Durante a caminhada, porém, notei inúmeros carros cobertos por uma película fina e branca. Todos eles. Aos poucos essa película ia se dissipando e virando água. Por dedução lógica, percebe-se que era neve. Neve não, mas algo muito pequeno para ser chamado de neve. Em breve, com essas temperaturas baixas deverá ser possível brincar na neve e tacar bolinhas em alguém. Melhor não.

A viagem para Brighton foi tranqüila e sonolenta. Antes diss, porém é necessário fazer mais um comentário sobre a comida daqui. A Fanta Laranja deles não é de laranja. É Fanta Citrus, Fanta Energil C, Fanta qualquer coisa, menos Fanta Laranja. Além do sabor horrível ela não é laranja! É uma cor que, perdão aos puritanos, aparece xixi. Cheguei em Brighton com a minha mente feita daquela cidade desagradável, mas não demorei muito para perceber o erro que tinha cometido ao falar mal de Brighton&Hove. A cidade tem suas atrações, mas é cidade grande diferente de Eastbourne, então um olhar clínico mais demorado foi necessário ara que visse seus encantos.

A maior atração turística da cidade é o Royal Pavillion. Um prédio imponente, lindo, aparentemente com toda sua estrutura externa em modelo indiano, mas internamente o que se vê são contemplações da história chinesa e dragões por todos os lados. Logo ao lado do Pavillion está o Museu de Brighton. Ali entrei por pura curiosidade e pelo ofício – sim, até aqui eu penso no Liceu. Logo na entrada consegue-se ver que não é um museu dos mais comuns daqueles que abrigam um ou dois tipos de exposição, normalmente, correlacionadas. O que se vê dentro do Brighton British Museum são peças da história da cidade, em todos os ângulos, até uma exibição de arte moderna interessantíssima que reunia várias mensagens de mulheres da vida, para ser sutil, em orelhões da cidade e suas respectivas respostas. Um objeto, porém, chama mais a atenção do que os demais na exposição. Não, não é uma peça, um quadro ou uma cerâmica. São dois telefones que, ali instalados, te possibilitam se relacionar com a obra. Você escolhe qual das explicações quer ouvir e aperta play. É genial. Para se ter uma idéia, consegui ouvir a narração de um jogo de hockey que consagrou o time da cidade campeão nacional em 1959. Cinqüenta anos atrás! Finalizei minha visita andando pelo parque que circunda as duas edificações e ao fim do parque vi um bandeira verde e amarela no horizonte. Dei alguns passos à frente e comecei a rir sozinho em direção a flâmula do país. Cheguei na porta e descobri, em Brighton, um restaurante brasileiro com dono brasileiro e feijoada! O único problema é o preço, acima do que um estudante comum pode ambicionar pagar.

Finalizando a viagem, fui conhecer o píer e realmente a praia deles é melhor do que a de cá, Eastbourne. Lá existem as mesmas pedras, mas a praia é mais limpa e o mar azulíssimo – neologismo. As fotos que lá tirei, com o sol ao fundo, comprovam.
Na volta vim dormindo no ônibus e quase acabei perdendo a volta para casa já que o esperto aventureiro não soube que pegara o ônibus apenas até Seaford sendo necessário fazer uma ‘baldiação’ – pegar outro ônibus sem nenhum custo – para voltar para Eastbourne. Felizmente achei o ônibus, o caminho de casa e do chuveiro, já que o frio lá fora castigava e a previsão para a madrugada é de temperaturas abaixo de 0. Vamos todos torcer pela neve!

P.S: Esqueci de dizer algo de suma importância para os nacionalistas e aqueles que estão começando a ficar assim – como eu. Entrei em uma loja de sapatos e logo reconheci a música. Não, não era a Ivete Sangalo. Mas Jorge Bem tocando O Vendedor de Bananas, um clássico seu e da música nacional. Sorriso estampado no rosto saí e fui para a loja de cd’s ao lado e me deparo com uma sessão exclusivamente dedicada a nossa música que iam desde Os Mutantes até Milton Nascimento. Fantástico.
Trilha Sonora do Dia: Legião Urbana – Angra dos Reis: ‘Quando as estrelas começarem a cair, me diz, me diz, pra onde é que a gente vai fugir.’

3 comentários:

  1. Quero ver as fotos desse predio tao imponente.

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  2. Se nao tem snowball, nao eh neve... nem queira se iludir!

    E rolava surf em Brighton?

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  3. Se vira e traga muitas fotos de Londres através do olhar de um brazuca :D

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