segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

20/12/08 - Sábado





De um dia parado e completamente sem nada par fazer fez-se um dia cheio de tudo e de nada ao mesmo tempo. Comecei por explorar as montanhas da região – meu próximo passo é o Everest – e descobri que aqui atrás escondem-se três campos de rugby e um de futebol, não adianta muito já que não tenho bola muito menos com quem jogar. Fui procurar o farol de Beachy Head, não achei e acabei tendo a melhor vista possível da cidade de Eastbourne, toda a extensão de sua costa até o começo das montanhas onde, segundo Mr. Sonny, ocorrem por volta de cento e cinqüenta suicídios por ano. Comentário maldoso: pelo menos é um lugar bonito para morrer.

Saí dali e fui em busca de algo para fazer no centro da cidade. Pensei em fazer uma lista dos presentes de Natal, mas aquilo me tomaria muito tempo e minha paciência – e vontade – estavam curtas. Então, de uma forma inesperada para mim, resolvi ir para Brighton. Simples, era só pegar um ônibus e chegar lá em, no máximo, uma hora. Ah, para questão de detalhamento, o ônibus era vermelho daqueles de dois andares, mas, desculpe se os decepciono, não tem nada de mais nisso. É mais legal ir em ônibus de excursão escolar.

Durante o caminho para Brighton passamos por algumas cidades, que mais pareciam vilarejos, todas com o sufixo ‘haven’ em seus nomes, como Newhaven, Seahaven e Beachaven. Todas cidadezinhas dormitório onde o máximo que se pode fazer é olhar para o mar o dia todo. Mas cidades bonitas, sem dúvida alguma. A estrada, estreita e com pouquíssima sinalização, faz a viagem parecer um pouco perigosa e demorada já que o ônibus para diversas vezes para recolher o pessoal que go de cara, quer ir de um ‘centro’ ao outro.



Chegando a cidade de Brighton, logo de cara, é possível visualizar a Marina, com toda certeza, a construção mais impressionante de toda cidade. Ali milhares de barcos ficam ancorados, e, próximo destes, ficam diversos prédios onde o pessoal mora, faz compras, trabalha. Praticamente uma cidade à parte. Esperava muito de Brighton depois que vi isso, mas me decepcionei. A cidade é suja e feia. Claro, não chega a ser horrível, mas não impressiona em nada. As ruas são todas apinhadas de gente procurando por alguma loja com preços baixos, me lembrou muito o centro de São Paulo, com a diferença de que o que existe ali não são ruas mas sim vielas onde as pessoas se espremem para conseguir ver um relógio na loja da Rolex ou tomar um café na Starbucks. Nem a loja da Disney vale à pena já que é pequena e tem poucos itens de real valor comercial lá dentro. O que faz a cidade um pouco bonita é sua estação de trens, gigantesca, com trens para todos os cantos do país e gente muito bem educada atendendo a todos os turistas – como eu.

Voltei para Eastbourne um tanto quanto decepcionado e com a saudade latejando no meu peito, não sei por qual motivo. A biblioteca da cidade me recebeu e fiquei por cerca de uma hora lá sem conseguir postar meu texto no blog o que me dá a idéia de que ficarei um bom período sem me comunica com vocês. Voltei para casa com o coração apertado por não poder estar presente na formatura do meu irmão – aliás, parabéns Felipe, você ta crescendo cara, não sabe o quanto eu gostaria de estar aí – e jantei de forma infeliz. Tentei afastar isso do peito assistindo um pouco de snooker britânico e depois de duas horas de competição percebi que a programação da TV inglesa é muito parecida com a nossa: tem a Dança dos Famosos – igualzinha a do Faustão, tem quiz com celebridades, tem filme noturno ruim, tem programa igual ao da Hebe. Igualzinho. Só não tem uma coisa: futebol. Por isso terei que ir ao pub hoje assistir Arsenal x Liverpool.

O Sr. Sonny me aconselhou a não jogar rugby, mas como sou extremamente teimoso, cabeçudo e preciso me ocupar, vou! Talvez só assista, mas quero ver como será essa experiência. A noite os tchecos me convidaram para sair com eles pela última vez. Quero ir, um dos poucos amigos que fiz por aqui.

Estou contando quantos dias faltam para ir embora e não a quantos eu estou aqui, isso mostra um pouco da minha situação. Mas depois lamentamos.

Trilha Sonora do Dia: Legião Urbana – Pais e Filhos: ‘É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.’

3 comentários:

  1. Gostei da cidade, muito bonita.E veja só, nem só de favelas sao feitos os morros. Talvez os nossos governates possam aprender um pouco com os ingleses.

    Qto aos onibus de 2 andares, concordo contigo, nao tem nada demais. Só um andar extra :)

    te mais...

    ResponderExcluir
  2. Quem esse Sr. Sonny pensa que é pra dizer pra voce não jogar rugby?
    Esse cara não sabe de naaada... aposto que ele tem é medo de quebrar a unha, pq rugby é coisa de macho, rapá!

    ResponderExcluir
  3. (este post tinha passado despercebido, não sei como, afinal, tem uma foto supimposa do ônibusvermelhodedoisandares)

    Aliás, lendo sobre a biblioteca, não tem nenhuma leitura interessante por lá? *-*

    ResponderExcluir