Algumas datas se tornam especiais por algum motivo banal. No Brasil instituíram o Dia da Consciência Negra, que, na verdade, é um feriado para se emendar com a Proclamação da República e todo cidadão brasileiro começar a sentir o gostinho de férias. Sei que não é essa a razão por existir o dia em homenagem aos negros, mas é apenas como grande parte da população brasileira vê. Mas quero falar de Boxing Day que tem um significado muito diferente do que vocês possam imaginar, mas deixemos isso para daqui dois parágrafos.
Agora vamos ao que interessa, descrever minha ceia que tava mais linner – uma mistura de lunch com dinner – almoço e jantar – já que a refeição foi servida às três e meia da tarde do dia de Natal. Particularidade e diferença inglesa: aqui, na noite do dia 24 de Dezembro nada de especial acontece. Não existem jantares nem as famílias se reúnem, no máximo, uns telefonam para os outros, ao contrário do Brasil onde a celebração é no pré-Natal e o Natal fica com o almoço familiar (normalmente com o que sobrou da ceia da noite anterior). Mas, como aqui é diferente, meu almoço não foi baseado em peru. Foram as batas. Batas doces, salgadas, cozidas, fritas, assadas. De todos os tipos e tamanhos. Impressionante. Ah, também existiam algumas fatias de peru, carne de vaca e presunto assado com queijo, a melhor pedida da tarde. Couve-de-Bruxelas era o principal das saladas que incluíam aí vários dos vegetais indo do pepino ao ‘vegetal’ tomate – eu sei que é uma fruta.
Fui dormir com a perspectiva do Boxing Day. E pensar em Boxing Day remete à muitas pessoas amontoadas em frente a uma loja esperando as portas abrirem para que elas corram, peguem os itens mais importantes – e baratos – e voltem para suas casas aproveitar o resto de Natal que sobrou. Aqui, para a maioria das famílias, o Boxing Day continua sendo Natal. Por isso algumas mais tradicionais com a minha, que teve seis filhos e tem um senso de união familiar gigantesco, não concorda com essa idéia de Dia das Compras que o Dia das Caixas tomou. Na realidade,o Boxing Day começou há alguns séculos atrás quando os burgueses deixavam os restos de seu Natal farto e até algumas doações, tanto em dinheiro quando em bens, para as pessoas das classes mais pobres. O nome Boxing Day se deu porque essas doações eram colocadas dentro de caixas que os mais necessitados recolhiam ao fim do dia 26. Aqui é mais ou menos assim, só que, dessa vez, quem faz caridade são os compradores devido a crise mundial que assola a economia e que faz os preços ficarem cada vez mais baixos devido a necessidade pela venda.
O shopping da cidade, o Arndale Center, estava vazio quando cheguei e permaneceu assim até por volta das dez e meia da manhã, quando as principais lojas levantaram suas portas e as vendas começaram. Os preços não estão despencando, devido a isso uma pesquisa mais aprofundada me fez salvar alguns pences e pensar no que poderei comprar depois. Não é um espetáculo consumista, basicamente definindo o Boxing Day em Eastbourne.
Amanhã começam as vendas de Janeiro, mesmo ainda sendo Dezembro, o que permite concluir que os valores devem diminuir um pouco mais. Vou para Brighton conferir se os preços lá também estão em baixa ou se as coisas continuam dentro do padrão inglês = caro.
Trilha Sonora do Dia: Los Hermanos – Além do que se Vê: ‘É difícil ser feliz, mais do que somos todos nós.’
Este post é dedicado à Gabriella, uma das melhores pessoas que conheço e que completa dezessete anos hoje. Parabéns Gabi!
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
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galera,
ResponderExcluireu sou a Gabriella
pronto, momento `olhem pra mim apesar da minha calca roxa` jah passou.
Eu achando que voce ia relatar o que voce comprou no Boxing Day para os seus leitores poxa
Voce sabe que voce passou o dia do meu aniversario inteiro comigo neh? Com todo mundo. Voce ta sempre nas conversas, de verdade.