domingo, 14 de dezembro de 2008

11-12/12/08 - Primeiro Dia

Cheguei à Inglaterra.O sonho sendo realizado assim diria. Mais, nem só de facilidade e beleza são feitos os nossos sonhos. A viagem, minha primeira sozinho e de avião, não teve nenhuma dificuldade aparente, pelo menos, até o pouso quando a espera para pousar foi de mais de vinte minutos. Antes disso, porém, quase perdi o vôo já que estava ouvindo Paralamas no volume máximo dentro do saguão de espera para Londres JJ8O84.
Durante toda a viagem a tranqüilidade e o sono se abateram sobre um avião meio-cheio / meio-vazio. Acordei e dormi por três vezes até que vi o Sol raiando no horizonte e ração. percebi que chegávamos próximos da cidade portuguesa de Lisboa. Curiosidade: passei por Porto, La Coruña, Nice e só sol. Não via uma só nuvem no céu. Foi cruzar o tal do canal da Mancha que surgiu um mar que parecia de algodão abaixo da minha vista e fora do avião. O cima em Londres estava extremamente inglês. Chuvoso, cheio de nuvens e sem uma gota caindo.
A parte mais tensa da viagem,entretanto, foi a imigração. Falando com uma senhora sem a mínima paciência ou vontade de tentar entender que o meu motivo de estadia dentro do Reino Unido eram os estudos, passei, pelo menos, vinte minutos tentando convencê-la de que eu não rubaria o emprego de seu respectivo filho ou que a possibilidade de planejar um ataque terrorista – apesar da barba – era nula. Depois de mostrar todos os documentos e responder perguntas do tipo: “What does your father do at Brazil?’ ou ‘What are you meaning as you are just sixteen ?!’, fui em busca da minha bagagem. Cheguei, a esteira passou, ajudei uma senhora chilena e minha bolsa enfim procedeu. Sem um risco sequer parti em direção ao Gate 4 de Heathrow. No entanto, no caminho, encontrei um telefone p[ublico e lá se foi um euro – ao fim do dia foram 4 euros e 50 centavos em tentativas de ligação. Chegando ao portão, um daqueles guardas muito bem educados me pergunta: ‘Where are you coming from?’ eu, logicamente:’Brazil.’ Ele me deixa passar enquanto, outro, no meu encalço me pergunta novamente. A resposta é a supracitada. Então, para minha surpresa ele diz: ‘Can you open your luggage, please?’, com o maior sarcasmo possível na voz. Abri, educamente, mostrei todos os documentos enquanto ele tirava, peça por peça as roupas que estavam na bolsa. Ao fim, vendo que nada encontraria, arrumou e até, olhem só, me auxiliou a fechar a bagagem.
Free shop podre, nada barato e nada de interessante. Nem um cartão telefônico e muito menos uma máquina fotográfica. Logo encontrei o meu motorista. Com cara de islâmico, ele me respondeu que era grego e que estava na Inglaterra havia treze anos. Conversamos desde a seleção nacional inglesa de rugby até das condições de tempo que se encontrava em Eastbourne naquela passagem de ano. A parte mais proveitosa da minha viagem, até ali, então. Nos despedimos e ele me deixou em frente a residência dos Ullah. Parêntesis: Eastbourne é linda. Cidade de filme. Todas as casas têm, no mínimo, três andares. Não existem portões e árvores para todos os lados. Melhor que qualquer seriado norte-americano. E, claro, a casa da minha host family não poderia ser diferente.
Logo que viu, Mr. Ullah abriu a porta, me saudou, elogiou meu parco inglês e se mostrou muito simpático, mas de poucas palavras. Contraditório não ? Aqui na Inglaterra não. Dono de um bigodão, entradas bem desenvolvidas na sua quase careca e um pôster do Freddy Mercury na parede, o Sr Sonny me foi prestativo. Me deu alguns minutos enquanto,me encontrava em meu quarto, grande, espaçoso, cheio de gavetas e tomadas, e de cama das mais confortáveis que já vi, e já o jantar estaria pronto. A Sra. June, essa sim, faladora e educadíssima, me introduziu tudo que eu poderia e fazer e quase nada do que não poderia. Engraçada e dona de dois dos cachorros mais lindos que já presenciei, ela quis me fazer sentir o mais confortável possível. Inclusive, lavará minhas roupas (o que me fez adiantar o presente que a daria no Natal, uma coleção de pedras brasileiras. Pequenas, mas bonitinhas).
Logo o jantar estava servido: chips and fish. Fantástica mão-de-cozinheira que a dona Ullah tem. Perfeita refeição, sem contar, claro, com a descoberta que fiz de um tal molho marrom – Brown sauce – que não chega a ser enjoativo como o catchup\ou amargo como a mostarda, é tão balanceado que vale muito à pena. Depois do jantar, quando conheci um de seus filhos além de um chinês, da minha idade e de nome impronunciável que não trocou uma só palavra comigo, resolvi dar uma volta pela rua. Ófrio rascante. O maior que eu já senti em toda minha vida e que tende, muito, a ser batido, pois a previsão de tempo para os próximos dias é de chuva e frio intensos. Achei as lojinhas arrumadas e as pessoas esnobes, claro,ingleses. Até que achei um telefone público e consegui falar por cinco segundos com minha irmã e meu pai. Palavras básicas e que me custaram, ao menos, três euros. Foi bom, pelo menos ouvi suas vozes por milésimos de segundo. Voltei para casa congelando e decidi dormir. Vou fazê-lo agora. Quando tiver acesso à Internet mandarei este texto. Tomara que amanhã, ou hoje à noite mesmo, já que descobri que existe um estudante chinês aqui e que, domingo, chega um tcheco. Quase um albergue de luxo isso aqui, mas o clima é, como diriam cá, cozzy.
Espero poder falar com alguém em breve. A saudade do Brasil é gigante.
Trilha sonora do dia: Skank – Tão Seu: ‘Me sinto só, me sinto só, eu me sinto tão seu.’

Tô com muitas saudades amor. Eu te amo.

2 comentários:

  1. Meu, ela vai lavar sua roupa, que folga amor!
    Ladrão de internet hahahhaa

    Toh com saudades tbm meu amor

    eu te amo♥

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  2. ninguém te chamo de frodo ???

    hehe ;D

    Isso deve ser o máximo cara.
    Se cuida. Abraço.

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