De um dia parado e completamente sem nada par fazer fez-se um dia cheio de tudo e de nada ao mesmo tempo. Comecei por explorar as montanhas da região – meu próximo passo é o Everest – e descobri que aqui atrás escondem-se três campos de rugby e um de futebol, não adianta muito já que não tenho bola muito menos com quem jogar. Fui procurar o farol de Beachy Head, não achei e acabei tendo a melhor vista possível da cidade de Eastbourne, toda a extensão de sua costa até o começo das montanhas onde, segundo Mr. Sonny, ocorrem por volta de cento e cinqüenta suicídios por ano. Comentário maldoso: pelo menos é um lugar bonito para morrer.
Saí dali e fui em busca de algo para fazer no centro da cidade. Pensei em fazer uma lista dos presentes de Natal, mas aquilo me tomaria muito tempo e minha paciência – e vontade – estavam curtas. Então, de uma forma inesperada para mim, resolvi ir para Brighton. Simples, era só pegar um ônibus e chegar lá em, no máximo, uma hora. Ah, para questão de detalhamento, o ônibus era vermelho daqueles de dois andares, mas, desculpe se os decepciono, não tem nada de mais nisso. É mais legal ir em ônibus de excursão escolar.
Durante o caminho para Brighton passamos por algumas cidades, que mais pareciam vilarejos, todas com o sufixo ‘haven’ em seus nomes, como Newhaven, Seahaven e Beachaven. Todas cidadezinhas dormitório onde o máximo que se pode fazer é olhar para o mar o dia todo. Mas cidades bonitas, sem dúvida alguma. A estrada, estreita e com pouquíssima sinalização, faz a viagem parecer um pouco perigosa e demorada já que o ônibus para diversas vezes para recolher o pessoal que go de cara, quer ir de um ‘centro’ ao outro.
Chegando a cidade de Brighton, logo de cara, é possível visualizar a Marina, com toda certeza, a construção mais impressionante de toda cidade. Ali milhares de barcos ficam ancorados, e, próximo destes, ficam diversos prédios onde o pessoal mora, faz compras, trabalha. Praticamente uma cidade à parte. Esperava muito de Brighton depois que vi isso, mas me decepcionei. A cidade é suja e feia. Claro, não chega a ser horrível, mas não impressiona em nada. As ruas são todas apinhadas de gente procurando por alguma loja com preços baixos, me lembrou muito o centro de São Paulo, com a diferença de que o que existe ali não são ruas mas sim vielas onde as pessoas se espremem para conseguir ver um relógio na loja da Rolex ou tomar um café na Starbucks. Nem a loja da Disney vale à pena já que é pequena e tem poucos itens de real valor comercial lá dentro. O que faz a cidade um pouco bonita é sua estação de trens, gigantesca, com trens para todos os cantos do país e gente muito bem educada atendendo a todos os turistas – como eu.
Voltei para Eastbourne um tanto quanto decepcionado e com a saudade latejando no meu peito, não sei por qual motivo. A biblioteca da cidade me recebeu e fiquei por cerca de uma hora lá sem conseguir postar meu texto no blog o que me dá a idéia de que ficarei um bom período sem me comunica com vocês. Voltei para casa com o coração apertado por não poder estar presente na formatura do meu irmão – aliás, parabéns Felipe, você ta crescendo cara, não sabe o quanto eu gostaria de estar aí – e jantei de forma infeliz. Tentei afastar isso do peito assistindo um pouco de snooker britânico e depois de duas horas de competição percebi que a programação da TV inglesa é muito parecida com a nossa: tem a Dança dos Famosos – igualzinha a do Faustão, tem quiz com celebridades, tem filme noturno ruim, tem programa igual ao da Hebe. Igualzinho. Só não tem uma coisa: futebol. Por isso terei que ir ao pub hoje assistir Arsenal x Liverpool.
O Sr. Sonny me aconselhou a não jogar rugby, mas como sou extremamente teimoso, cabeçudo e preciso me ocupar, vou! Talvez só assista, mas quero ver como será essa experiência. A noite os tchecos me convidaram para sair com eles pela última vez. Quero ir, um dos poucos amigos que fiz por aqui.
Estou contando quantos dias faltam para ir embora e não a quantos eu estou aqui, isso mostra um pouco da minha situação. Mas depois lamentamos.
Trilha Sonora do Dia: Legião Urbana – Pais e Filhos: ‘É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.’

Gostei da cidade, muito bonita.E veja só, nem só de favelas sao feitos os morros. Talvez os nossos governates possam aprender um pouco com os ingleses.
ResponderExcluirQto aos onibus de 2 andares, concordo contigo, nao tem nada demais. Só um andar extra :)
te mais...
Quem esse Sr. Sonny pensa que é pra dizer pra voce não jogar rugby?
ResponderExcluirEsse cara não sabe de naaada... aposto que ele tem é medo de quebrar a unha, pq rugby é coisa de macho, rapá!
(este post tinha passado despercebido, não sei como, afinal, tem uma foto supimposa do ônibusvermelhodedoisandares)
ResponderExcluirAliás, lendo sobre a biblioteca, não tem nenhuma leitura interessante por lá? *-*