quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

16/12/08 - Terça-Feira - Quinto Dia




Hoje não falarei de escola. Não falarei de coisas que fazemos usualmente, nem direi para vocês o que comi no meu jantar. Na verdade, você comeu polenta hoje? Eu comi. Uma polenta um tanto quanto diferente, com uns vegetais no meio, do tipo ervilha e cenoura ralada, que levam a uma mistura peculiar, gostosa e extremamente quente. Mas voltando ao ponto principal deste post, falaremos de pubs.
Pubs são lugares, no Brasil, onde gente diferente se reúne para beber cerveja e discutir sobre os menos variados assuntos – o público de pubs é bem restrito. As pessoas ‘normais’ costumam ir em bares, onde a comida e a bebida é mais barata e o ambiente não tão fechado ou poluído, pela fumaça dos cigarros. E quando não existem bares? O que fazer? Os ingleses vão pros pubs. Mesmo se existissem os bares, os britânicos continuariam indo pra pubs. Mas desfaça toda e qualquer imagem que você tenha deste tipo de recinto. Na Inglaterra eles são completamente diferentes. Vi alguns pela cidade mas não tive coragem de entrar e pedir uma Coca-Cola. Mas ontem tive a oportunidade de conhecer não só um, mas dois pubs, classicamente ingleses.
Primeiramente sai com Andréj de casa e fomos em direção ao Bucaneiro – The Buccaneer – onde se daria a reunião semanal dos membros da escola LTC de Eastbourne, uma confraternização para que as pessoas se conheçam melhor, falem inglês até não conseguirem mais e beber algumas cervejas – ou, no meu caso, uma Schweppes. Pelo menos a Schweppes é muito mais barata que a cerveja – mas isso tudo é praticamente impossível quando você está com um grupo de estudantes tchecos. Dentre os 14, conversei muito com seis, e todos, muito simpáticos e acolhedores, brincaram, riram, fizeram piadas sobre tudo e todos e me introduziram no grupo, o que diminuiu um pouco a saudade de casa e me fez até esquecer que eu tava em um país estrangeiro onde as pessoas pouco se comunicam. Mas alguns detalhes, sobre os tchecos, são necessários ressaltar: eles bebem muito. Todos. Muito mais do que qualquer brasileiro normal suportaria em um período curto de tempo. Homens e mulheres, sem restrição de idade, tamanho, cor da pele, ou diferente sotaque de inglês e tcheco. A consumação etílica é algo impressionante, algo como cinco litros e meio de cerveja, segundo eles, da mais amarga possível em um período de três horas. Além claro deles terem um conhecimento muito vasto sobre geografia, história e, a grande maioria dos nossos amigos da Moravia-Bohemia, terem como sonho conhecer a América do Sul.
O Bucaneiro tem um aspecto limpinho, diferente do que se imagina. É um pub secular, tem em suas paredes várias fotos da cidade de Eastbourne a cem anos atrás, quando a cidade vivia outros costumes, apesar do píer ser o mesmo. As cadeiras são poucas e você, se quiser, senta-se em sofás com uma mesa ao centro. Muito mais confortável. O serviço das atendentes é ótimo, mas uma particularidade muito inglesa: não existem garçonetes ou garçons; caso queira uma bebida ou comida você tem que buscá-la no balcão do pub. Todas as marcas possíveis de cerveja você vai encontrar lá, aquelas que patrocinam os eventos esportivos e os times de futebol, até as mais exóticas do Leste Europeu. E para nós, impossibilitados de beber qualquer uma dessas, temos uma variedade ‘enorme’: Coca-Cola e Schweppes. É, água também. A venda de bebida alcoólica para menores é restrita e rara de acontecer – não, eu não testei o sistema, apenas comentários de Mrs. June – eles sempre pedem o seu cartão de identificação, nosso RG, carteira de motorista ou passaporte.
Depois das oito cervejas, a dona do pub quase nos expulsando e os tchecos indo embora, restando apenas Andréj, Jakub, homens, e Marica e Zuzana, mulheres, fomos para outro pub, em frente o próprio Bucaneiro, junto com os managers da escola. Lá estavam dois professores e um dos diretores gerais, Alisdair. Este outro, muito mais exótico e com cara de pub ‘sujo’, vazio as 23:00 de uma terça-feira, teve nossa boa visita que acabou após Andréj quase cair em cima de uma das outras tchecas. Aí, como bom companheiro que sou, trouxe o para casa comigo. O melhor, ele não estava nada bêbado.
Só vou falar algumas coisas que aprendi em tcheco, vamos ver se alguém consegue adivinhar isto:
- Doprdeela;
- Kurrva,
- Hoovna

Duvido que alguém consiga. Mas tentem, eu deixo.

Trilha Sonora do dia: Skank – Três Lados: ‘E quanto a mim não é o fim, nem a razão para que o dia acabe.’

2 comentários:

  1. Se nem o Google Translator consegue traduzir o que é isso, quem sou eu pra lhe dizer?

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  2. vamos lá:
    vc escreveu errado . Não é
    - Kurrva - escreve-se kurva que é o mesmo que as senhoras prestadoras de serviçós a homens carentes, em troca de remuneração, ou vagabas mesmo...
    Se seu amigo Andrej não estava bebado e caiu em cima da Tcheca, no bom sentido, eu não o culpo...Ja eram 11:00 da noite.
    Te cuida

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