Um dia mediano, sem muito o que dizer, com grandes picos durante toda sua extensão que me levaram de um certo abatimento até uma felicidade radiante.
Começando pela minha visita à costa da cidade onde consegui perceber que apesar de ser uma cidade turística, Eastbourne não chega aos pés de qualquer cidade ralé da costa brasileira. A praia é cheia de pedras, sem a mínima condição para banho, e apesar disso tudo é um balneários dos mais visitados no verão inglês. Não sei por quem, ou melhor até sei: aqueles que não podem pagar uma viagem para Mallorca ou Nice. Então, venham para Praia Grande ué, é tão bom quanto, mais barato e vocês vão poder colocar seus pés na areia sem pensar em se machucar – aqui não existe areia.
O píer foi minha grande decepção do dia. Cheguei pensando que veria a essência da cidade costeira e o que vi foi um local meio abandonado, sem muito a oferecer, com um lado comercial fortemente reforçado e precário, apesar da população ainda tentar manter o píer como principal atração da cidade, apesar de eu preferir os lados mais próximos aos teatros, a tal rua da Água Preta, onde está localizado também o Colégio da Cidade, uma praça que mais parece um campo de rugby desativado e o Eastbourne Tennis Club onde é realizado, em Junho, o torneio Internacional de Eastbourne que já trouxe para cá de Henin-Hardenne à Sharapova. Mas paremos por aqui com essa propaganda barata e não-paga da cidade.
Sair dali foi fácil e me achar no centro da cidade foi mais fácil ainda, após o passeio de ontem. Duas coisas me decepcionaram e me estranharam muito hoje:
- Estou eu, andando pela rua principal de Eastbourne, um tipo de calçadão aonde não transitam carros e estão as principais lojas, se aproxima uma mulher, seus quarenta anos de idade, cabelos levemente brancos e uma expressão, até certo ponto, simpática em seu rosto. Do nada, ela se aproxima, coloca uma flor em minha lapela, e pede uma doação para as crianças de não sei onde. Sou simpático a esse tipo de causa e fui tentar ajudar, porém, como não estou andando com dinheiro para evitar gastos peguei meu monedero made in Argentina e tirei minhas poucas moedas, quase 1 euro, e dei-a. Ela olhou para minhas mãos e disse: “ I don’t want this. I want paper money !’. Fiquei desolado, olhando para a cara da mulher por segundos até que disse: ‘Sorry, so I can’t help you’. Pela primeira vez na vida vi alguém negando qualquer tipo de doação. Além do que, hoje vi o primeiro mendigo em Eastbourne o que prova que nenhum país ultra-desenvolvido do mundo pode escapar as mazelas sociais.
- Não consegui, em lugar algum, trocar meus euros por libras o que significa que terei que segurar por mais alguns dias o dinheiro. Claro, tudo tem seu lado bom. Eu economizo e poso deixar as compras para o Boxing Day.
Cheguei em casa, consegui acesso à Internet graças ao grande e pouco falante chinês Bill. Por duas horas consegui me comunicar um pouco com o povo no Brasil e colocar os dois primeiros textos desse quase diário – se é que esse é o termo correto.
André, ou foi pelo menos isso que eu entendi, o tcheco, chegou. Não muito alto, com poucos cabelos em sua cabeça apesar dos vinte e três anos, ele me disse que faz medicina e pretende ser cirurgião. Em dez minutos durante o jantar consegui conversar mais com ele do que com Bill em toda minha estadia, por enquanto. Já que ele ficará uma semana apenas, disse que quer aproveitar ao máximo o que puder. Tomara que ele não se enfurne junto com os outros tchecos, ou, ao menos, que me introduza ao grupo do Leste Europeu.
Minhas aulas começam daqui a algumas horas e espero estar pronto para entrar, pelo menos, em uma sala que requeira nível mediano. Pelo que Sra. June me disse, as turmas devem mudar muito, logo, não deverei me acostumar muito com o pessoal que encontrar essa semana.
Amanhã pretendo colocar em algum Youtube da vida todos os vídeos que fiz até agora e se consegui-lo coloco algo aqui no blog também. Que o amanhã seja melhor que o hoje, não é ?
Trilha Sonora: Paralamas do Sucesso – Tendo a Lua: ‘Tendo a Lua, aquela gravidade onde o homem flutua, merecia a visita não de militares, mas de bailarinos e, claro, de você e eu.’
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
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Oi Lu. Estamos com muitas saudades tb. Vi as suas fotos no Orkut e achei lindas. Se agasalha bem, tá? Um beijão.
ResponderExcluirTia Preta.
Eu falava o que você falou pra ela e completava com um xingamento em português porque sou rebelde.
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