domingo, 14 de dezembro de 2008

13/11/2008 - Segundo Dia

Bem cheguei, dormi doze horas, coisa que não consigo fazer nunca no Brasil e acordei, assustado, pensando que era muito cedo e que não haveria ninguém me esperando para o café da manhã. Não errei, mas por motivo diferente. Acordei às dez da manhã e todos já tinham tomado seu chá com leite – tão bom quanto o nosso café com leite – e comido suas torradas. Fiquei impressionado com a multiplicidade de refeições. Cereais matinais – é, sucrilhos mesmo - de quatro tipos, três torradas diferentes, manteiga, pasta de chocolate, igualzinho Nutella, e a tal marmelada de laranja, que como era dito na embalagem, a melhor do mundo. Melhor em quê se marmelada é horrível?

A Senhora June, após meu café da manhã mais que farto, me aconselhou: não saia hoje, o tempo está péssimo já que além do frio, está chovendo. João, teimoso como sempre e despreparado como nunca, disse, ah, que isso, lá em São Paulo também tem uma chuvinha, nada demais. Logo, fui enfrentar o mal tempo, que, realmente, era muito ruim. Antes, porém, Sr. Sonny me deu um mapa da cidade e me explicou onde eram os pontos importantes e onde, talvez, eu tivesse curiosidade de visitar. Tinha apenas dois objetivos: comprar uma câmera fotográfica e, com sorte, ligar para casa. Fui, caminhando, e pela primeira vez, vi como era a verdadeira cidade de Eastbourne. As casas são gigantescas, mais parecem pequenos prédios. Depois de pegar a avenida errada, parar em frente aos prédios da Universidade de Brighton – não, eu não errei tanto assim, é que uma das divisões da instituição é localizada em Eastbourne – retornei e fui em frente pela Meads Road até chegar a uma banca d jornal que, na realidade, é uma loja que se vende jornais, revistas e pirulitos, pois não há banca, literalmente falando. Nem banca e nem cartão telefone, e Internet. Achei a procuradíssima Internet dentro da biblioteca da cidade onde uma atendente simpaticíssima me atendeu, pegou meus dados e me deu um cartão que me permite usar a rede de computadores por uma hora sem pagamento algum. Quer melhor ?
Saí de lá satisfeito, pois, além do atendimento exemplar, os computadores funcionaram e consegui avisar alguns da minha chegada, mas, conversar, não pude. Espero que segunda consiga fazê-lo.

A minha segunda aventura do dia, muito bem mais sucedida, foi pelo cartão telefônico. Lá, dentro da estação de trem, u homem não tão bonito e nem tão educado quando a moça da biblioteca me atendeu, apenas me indicou aonde poderia ver os preços e os minutos que tinha por cada chamada. Comprei o de dez libras. O cartão se auto-explicava, logo minha inteligência nem meu inglês precisaram ser testados para que conseguisse ligar para casa. Minha mãe atendeu e o papo rápido me diminuiu a saudade e aumentou a vontade de voltar, mesmo que essa seja pequena, ainda. Logo depois, consegui ligar para Miucha e com um sonoro ‘Hello Darlin’ consegui quebrar um gelo, quase o mesmo que ela fazia comigo, quando dava aqueles sorrisos de derreter o iceberg que afundou o Titanic.

A estação continuou ali, bonita, bem arrumada, vitoriana. Os preços para viagem com destino a Brighton ou Londres não são caros - £7.90 para Brighton e £13.50 para Londres – o que me surpreendeu e me entusiasmou ainda mais a conhecer as duas cidades mais próximas e acessíveis para mim. Achei um shopping mall que não oferecia muita coisa e parti para outro, maior, mais bem estruturado com Starbucks e McDonald’s dentro. Achei logo uma loja da Sony onde um vendedor, também não muito bem educado, não pareceu querer me vender a câmera que escolhera. Pior para eles, melhor para mim, logo achei uma loja que oferecia a mesma câmera por um preço mais barato e com um atendimento melhor (ela era francesa, com um sotaque inconfundível, loira, olhos azuis, mas um tanto quanto estranha e atrapalhada). Então vi o sonho de loja. Uma tal de World Sport que vendia camisas da Seleção Inglesa de futebol, cada uma, por 10£. Acabei escolhendo a do Celtic, mais bonita e com o mesmo preço. Aliás, uma vantagem em ser baixo na Europa: a tal da camisa do Celtic que paguei cerca de quarenta reais, serve para crianças de 14 anos ou até 1,70 m de altura, logo, serviu para mim. Aproveitarei outras promoções do tipo, espero.

Saí e planejei meu retorno para casa. Logo achei os ônibus de dois andares, tirei foto, saí correndo atrás dos tais, mas retornei, tranqüilamente para minha homestay, sem antes conhecer o Cricket Club de Eastbourne, a minha escola e o mar. Sim, aqui é uma cidade de praia! Apesar disso parecer impossível.
Retornei, tive meu primeiro banho, curto e quente, jantei da melhor maneira possível: macarrão e peixe com um molho picante absurdamente bom e uma gelatina que mais parecia pudim de doce de leite. A comida, aliás, traz muitas contradições. Parece que você está comendo uma coisa totalmente diferente daquela que você conhecia anteriormente.

Meu pai me ligou, antes das nove da noite, e, apesar disso parecer um tanto quanto poser, quem quiser me ligar – sim, sinto muitas saudades de jogar conversa fora com qualquer brasileiro, apesar do sotque inglês ser agradável – é so ligar em casa e perguntar onde encontra uma cabine que com 50 centavos consegue-se fazer uma ligação internacional para qualquer canto do mundo, de preferência Eastbourne, Meads Road, number 4.

Minhas aulas começam segunda, amanhã chega o tcheco e o chinês, descobri, é simpático mas pouquíssimo comunicativo, logo, continuo sem amigos pra me acompanhar nos pubs da vida. Vamos ver se isso muda nos próximos dias.

Trilha Sonora do Dia: Legião Urbana – 1965: ‘Em toda e qualquer situação eu quero tudo pra cima!’

2 comentários:

  1. Não precisa trzer bola de rugby e nem poster de nada...
    Só me traz a receita de chá com leite, meu, to com muita vontade de chá com leite agora!

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  2. aaaaaaaaaai que máximo. vou tomar chá com leite haha

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